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Sexo na gravidez: o desejo pode aumentar nesse período?

Enquanto algumas mulheres apresentam queda no apetite sexual, outras sentem a libido subir nas alturas
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As oscilações hormonais transformam o corpo da mulher e até o humor, e o mesmo acontece em relação ao sexo. Depois de passar por enjoos, cansaço e sonolência no primeiro trimestre, a grávida pode se surpreender com o aumento da libido no segundo trimestre. Sim, a gestação pode ser também um poderoso afrodisíaco, capaz de transformar a relação sexual em uma experiência mais prazerosa.

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“A gravidez leva a um aumento de vascularização e sensibilidade nos genitais, aumenta a lubrificação e a elasticidade vaginal, e tudo isso favorece a sensação de prazer no ato sexual”, explica o obstetra Carlos Eduardo Czeresnia, da clínica Célula Mater.   

Já para a psiquiatra e sexóloga Carmita Abdo, coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade da USP, o aumento da libido está relacionado a fatores psicológicos. “O simples fato de a mulher estar grávida pode propiciar uma sensação de maior conforto, bem-estar e empoderamento do próprio corpo; afinal, a gravidez é um momento especial na vida da mulher. Realizar o desejo de maternidade pode proporcionar ainda uma maior disposição para o prazer e aumentar o sentimento de segurança, já que o bebê é laço definitivo com o parceiro”, avalia.

A gestação afeta também o parceiro. Alguns homens se tornam mais afetivos e mais atenciosos pelo fato de a mulher estar grávida e “isso acaba tornando o casal mais próximo, o que pode repercutir em um maior interesse sexual”, completa a sexóloga Carmita. 

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Em qual trimestre?

O desejo sexual da mulher tende a aumentar depois da estabilização da gestação. “A libido aumenta no segundo trimestre quando a gestante já se sente mais segura da evolução da gravidez e diminui novamente no final da gestação em virtude de todo o desconforto”, diz o obstetra Carlos Eduardo.

A frequência das relações sexuais aumenta bastante, já que a mulher está mais disposta, não sofre mais com enjoos e não tem mais receio em sofrer aborto espontâneo. E não há motivo de preocupação, o aumento da atividade sexual é positiva para mãe e o bebê. A penetração não traz perigo algum, mas é prudente evitar movimentos bruscos e malabarismos.

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“Em uma gestação, o sexo é bastante bem vindo, porque aproxima o casal e aumenta o vínculo e ajuda na circulação. Além disso, o sexo é uma forma de exercício mais leve, relaxa e traz endorfina e o aumento do bem-estar. Tudo isso é muito positivo”, diz a psiquiatra Carmita.

O sexo só é restritivo no caso de gestações de risco, quando há algum fator que possa causar trabalho de parto prematuro ou quando há uma dilatação precoce do colo uterino. É sempre prudente conversar com o médico sobre o assunto, indica o obstetra Carlos Eduardo.

E quando o marido perde o desejo…

Sim, acontece. Eventualmente, é o homem quem perde o desejo pelo sexo. “Vários fatores interferem no desejo sexual: o parceiro pode não estar motivado por algum motivo ou não sentir atração com o corpo diferente e uma barriga grande. Outros podem não estar tão preparados para a paternidade, têm ciúmes da criança, por conta da atenção que a mulher passa a depositar para a gravidez. Tudo isso pode interferir negativamente na atividade sexual”, avisa Carmita. 

Para resolver essa questão, é necessário uma conversa franca entre o casal. “Juntos, eles precisam identificar o motivo da falta de desejo sexual. Sem conversa, a mulher pode ficar altamente ressentida e isso pode afastar ainda mais o casal. Caso não seja possível resolver a questão, o casal deve lembrar que isso é uma fase e que eles podem proporcionar-se outras formas de carinho. Em alguns meses, o bebê vai nascer e oi casal vai entrar numa outra fase”, finaliza a sexóloga Carmita.

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Fontes: Carmita Abdo, psiquiatra, sexóloga e professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP|). Também é Coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade da USP e Presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria. (CRM: 22932)

Carlos Eduardo Czeresnia, obstetra graduado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e faz parte da equipe da clínica Célula Mater (CRM: 20245)

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