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Problema no coração do bebê pode ser detectado ainda no pré-natal

Cardiopatia congênita atinge cerca de 30 mil bebês por ano, sendo a terceira maior causa de óbitos de recém nascidos
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O coração do bebê começa a ser formado ainda nas primeiras semanas de gestação e seu batimento já pode ser ouvido na 6ª semana por meio do exame de ultrassom.

No entanto, sua formação pode acabar sendo comprometida por diversos motivos durante a gestação, fazendo com que a criança nasça com alguns problemas cardíacos, chamados de cardiopatias congênitas.
Segundo a American Heart Association (Associação Americana do Coração, em livre tradução), uma em cada 100 crianças apresentam alguma alteração no coração. No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, são 30 mil crianças, sendo esta a terceira maior causa de mortes entre bebês até os primeiros 30 dias de vida, representando por volta de 10% das causas dos óbitos infantis.

Para reverter esse quadro, o Ministério da Saúde lançou em julho deste ano o Plano Nacional de Assistência à Criança com Cardiopatia Congênita, cujo objetivo é realizar 3.400 procedimentos hospitalares ao ano, o que representaria um aumento de 30%. A medida foi tomada porque muitas famílias não têm acesso ao tratamento e à intervenção cirúrgica no primeiro ano de vida, o que contribui para que muitos bebês não sobrevivam.

Causas

As causas das cardiopatias congênitas são multifatoriais e geralmente começam a se desenvolver logo após o primeiro mês de gestação. “Trata-se de defeitos ou malformações na estrutura do coração e dos grandes vasos, que ocorrem na vida intrauterina. Pode ocorrer de forma isolada ou fazer parte de síndromes genéticas, tais como a Síndrome de Down, DiGeorge, Turner, entre outras”, explica a cardiologista pediátrica Maria Angélica Binotto, presidente do Departamento de Cardiopatias Congênitas e Cardiologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Além das síndromes genéticas, outros fatores podem causar essas alterações, sendo que muitas são provocadas por algumas atitudes da mãe ao longo dois nove meses de gestação.

“Muitas vezes, a causa para a doença cardíaca não é encontrada. Outros fatores, como o uso de alguns medicamentos, álcool, diabetes gestacional e algumas infecções podem contribuir para o aparecimento de alterações cardíacas no feto”, afirma a cirurgiã cardíaca infantil Beatriz Furlanetto, fundadora do Instituto Furlanetto.

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Existem diversos tipos de cardiopatias congênitas, que vão desde alterações nas válvulas e ventrículos do coração até anormalidades nos músculos do órgão. A mais comum é a chamada comunicação intraventricular, uma malformação na parede que separa os dois ventrículos do coração.

Sintomas

“Os sintomas nem sempre são tão fáceis de serem percebidos. Entre eles estão cansaço para mamar, sudorese (suor) durante mamadas, amolecimento ou desmaios e ficar com a boquinha ou os dedinhos roxos ou azulados”, cita a cirurgiã Beatriz Furlanetto.

Outras crianças, apesar de já nascerem com a cardiopatia, só começam a apresentar os sintomas mais tarde. Por isso, os pais de bebês com um ano de idade ou mais devem prestar atenção a características dos filhos, como dificuldade de acompanhar o ritmo das outras crianças em brincadeiras, falta de ar e cansaço ao fazer algum esforço, muito suor e dificuldade para ganhar peso, por exemplo.

Diagnóstico e tratamento

É possível detectar a presença de uma cardiopatia no bebê ainda na gestação, através de exames de ultrassom e de ecocardiograma. Por isso, o acompanhamento pré-natal é fundamental para garantir que o bebê venha ao mundo com o máximo de saúde possível, mesmo com o diagnóstico de cardiopatia congênita.
“Gestantes cardiopatas ou que tiveram um outro filho com cardiopatia congênita ou, ainda, aquelas cujos fetos apresentem alterações na ultrassonografia obstétrica, devem realizar um ecocardiograma fetal. Desta forma, o parto e o tratamento destes bebês podem ser programados com antecedência, garantindo um atendimento de excelência”, recomenda Maria Angélica.

“O período de gestação deve ser um momento especial, em que a gestante deve pensar que suas atitudes podem influir no desenvolvimento do bebê. É preciso uma alimentação adequada e saudável, exercícios orientados, evitar drogas e doenças que podem afetar o coração”, completa Beatriz Furlanetto.

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Após o parto, o teste do coraçãozinho, obrigatório em todas as maternidades do Brasil desde 2014, pode fazer o diagnóstico, caso a cardiopatia não tenha sido diagnosticada durante o pré-natal.

O tratamento pode variar de acordo com cada bebê e sua cardiopatia. Algumas alterações podem ser tratadas com medicamento, enquanto outras requerem intervenção cirúrgica.

Bebês cujas cardiopatias são diagnosticadas precocemente e que recebem o devido tratamento podem levar uma vida plenamente comum como a das outras crianças.


Fontes:
Maria Angélica Binotto, cardiologista pediátrica e presidente do Departamento de Cardiopatias Congênitas e Cardiologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Cardiologia (CRM/SP 55942)
Beatriz Furlanetto, cirurgiã cardíaca infantil e fundadora do Instituto Furlanetto (CRM/SP 35786)

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