Por que o bebê tem aquela marca de vacina no braço?

Veja por que ela é essencial e como cuidar
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Sabe aquela marca no braço que a maioria da população tem? Trata-se da BCG, vacina obrigatória em crianças desde 1976, que protege contra a tuberculose e deve ser aplicada preferencialmente nos primeiros dias de vida.

A sigla BCG significa “Bacilo Calmette-Guérin”, em referência ao tipo de bactéria a partir do qual a substância é produzida. As doses são feitas a partir de bactérias vivas enfraquecidas, a fim de forçar o organismo da criança a produzir anticorpos contra a doença.

A marca na pele é um sinal positivo, já que indica que o paciente está realmente protegido contra a doença. Caso a marca não apareça na pele após seis meses da aplicação, o Ministério da Saúde recomenda uma segunda dose. Há mães que, para que sua filha não venha a ter a marca visível no braço, por razões estéticas optam por aplicar a vacina em uma das coxas do bebê. Tanto faz, o importante é vacinar.

“A marquinha acontece devido à reação inflamatória provocada pela bactéria contida na vacina e passa pelas fases de pápula (um “carocinho” endurecido e vermelho), pústula (uma bolha com pus) e úlcera (uma feridinha), que cicatriza e deixa essa marca. Ter a marquinha é a confirmação de que a pessoa recebeu a vacina e respondeu adequadamente a ela”, explica a infectologista Carolina Lázari, do Fleury Medicina e Saúde.

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Proteção

Apesar de proteger contra os tipos mais graves e invasivos de tuberculose, a vacina não impede que a criança ou adulto fique doente. “A vacina é mais eficaz nos primeiros 10 anos de vida, e diminui a chance de ocorrência das formas mais graves da doença, que têm alta incidência de complicações e maior mortalidade nessa faixa etária. Contudo, a imunização não impede a ocorrência de tuberculose pulmonar”, diz a infectologista.

Embora seja preferencialmente aplicada no recém-nascido, a vacina pode ser dada até os quatro anos de idade. Algumas crianças têm contraindicação, como os bebês prematuros (menos de dois quilos) ou aquelas que apresentam problemas no sistema imunológico, já que podem manifestar algumas reações à vacina. “Nesses casos, o organismo do bebê não consegue controlar a ação do bacilo vacinal e pode desenvolver ulceração maior que o habitual e de difícil cicatrização no local da aplicação. Além disso, pode ter formação de abcesso, aumento dos gânglios da axila e até mesmo doença disseminada. Estes efeitos são raros e praticamente não ocorrem em recém-nascidos com peso e imunidade normais”, acrescenta a infectologista Carolina.

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Como cuidar

Não é necessário mexer ou manipular o local da injeção e nem aplicar nenhum medicamento ou curativo na pequena ferida, já que ela é capaz de curar-se sozinha. “A inflamação e a formação da lesão são necessárias para que a criança fique protegida, por isso a ferida e a presença de secreção purulenta são normais. A cicatrização completa ocorre, em geral, até 3 meses após a aplicação, mas pode demorar até 6 meses. Passado este tempo, se não houver cicatriz visível, o pediatra deve indicar a revacinação”, esclarece Carolina Lázari.

A cada ano, são notificados aproximadamente 70 mil casos novos e ocorrem 4,5 mil mortes em decorrência da doença. A tuberculose tem cura e o tratamento é gratuito e disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde.

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Fonte: Carolina Lázari, iInfectologista do Fleury Medicina e Saúde (CRMSP-35458)

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