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Olfato do bebê: saiba como estimular este sentido desde a gestação e após o nascimento

Terceiro sentido a se desenvolver, o olfato está ligado ao paladar e até mesmo às memórias do bebê
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O bebê consegue sentir o cheiro das coisas mesmo antes de nascer. O olfato é o sentido mais maduro no nascimento e o recém-nascido é capaz de reconhecer variações mínimas de cheiros.   

Durante a gestação, o nariz começa a se formar por volta da sétima semana de vida, depois vêm as narinas e, na décima semana, os receptores nasais que identificam os diferentes odores.

“O olfato está intimamente ligado ao paladar, sendo muito importante para alimentação e até mesmo para o vínculo entre os pais e os aspectos emocionais da criança. O feto consegue sentir o cheiro de praticamente tudo aquilo que a mãe come ou bebe, além do odor do líquido amniótico, que faz a criança reconhecer sua mãe”, explica Karina Weinmann, neuropediatra e cofundadora da clínica Neurokinder.

Como estimular o olfato

O estímulo do olfato do bebê pode começar ainda na gravidez por meio da alimentação da gestante. Um estudo feito pela Universidade do Colorado feito com ratos de laboratório concluiu que o olfato dos filhotes muda de acordo com a alimentação da mãe, o que também é um padrão em seres humanos, segundo os pesquisadores. Por isso, uma alimentação saudável e balanceada durante a gravidez ajuda a garantir um bom desenvolvimento do olfato do bebê.

O sentido também está intimamente ligado às nossas memórias, pois a parte do cérebro que registra nossas lembranças é a mesma que processa nossas experiências olfativas. Por isso, cheiros, sentimentos e lembranças caminham sempre lado a lado e, assim que nasce, o bebê associará os cheiros às experiência vividas no útero. No futuro, determinados cheiros trarão à tona diversas lembranças, sentimentos e sensações da infância.

Após o nascimento

Ao nascer, o bebê já está mais do que acostumado com o cheiro da mãe, podendo reconhecê-la apenas pelo seu odor. Isso será muito importante para o vínculo entre os dois e também para a amamentação. Ao sentir o cheiro um do outro, aumentam os níveis de ocitocina, também conhecido como o hormônio do amor, que atua na liberação do leite materno e funciona como base para o desenvolvimento do vínculo afetivo. 

Uma dica é evitar usar perfumes ou cremes com cheiros fortes, para que o bebê consiga sentir o cheiro natural da mãe, que tem um efeito calmante para ele. Além disso, cheiros muito fortes podem irritá-lo, além de influenciar até mesmo o seu paladar, impedindo-o de mamar da maneira e quantidade adequadas.

Com o tempo, o bebê vai passar a reconhecer o cheiro de outras pessoas, como o do pai, dos irmãos e de outros parentes. Ao ser pego no colo por pessoas desconhecidas, geralmente o olfato é o primeiro sentido a avisá-lo de que ele não conhece aquela pessoa, antes mesmo da visão.

Assim como acontece com os outros sentidos, o olfato do bebê deve ser estimulado pelos pais. “Quanto mais estímulos a mãe der, mais impressões físicas e sociais do ambiente o bebê terá, promovendo maior segurança emocional”, diz Karina.

O olfato também faz toda a diferença na hora da introdução alimentar do bebê. Um aroma que o agrade será um dos requisitos exigidos para aceitar os alimentos. Não estranhe, portanto, se ele fizer careta ou sorrir e ficar agitado antes mesmo de provar a comida.

Outras formas de estímulo

Como o olfato e o paladar são sentidos irmãos, já que o sabor e o aroma, juntos, integram a experiência, deixar o bebê explorar seu olfato por meio dos cheiros dos alimentos é essencial. A dica é deixá-lo sentir o cheiro da comida enquanto a refeição é preparada, para que ele sinta todos os diferentes aromas.

Levar o bebê para passear em parques e jardins, ou seja, ambientes com aromas diferentes do cheiro de casa, é um ótimo estímulo. “Sempre que possível o bebê deve ser levado ao ar livre, junto à natureza, e oferecer diversas possibilidades de materiais adequados a cada faixa etária, garantindo tempo para experiências variadas com diferentes texturas, como água, grama, areia, etc”, afirma Suzana Macedo Soares, consultora em educação infantil e autora do livro “Vínculo, movimento e autonomia – educação até 3 anos” (Editora Omnisciência)

Casa cheia de cheiros

Também há como estimular o olfato do bebê espalhando aromas pela casa, mas é preciso alguns cuidados. É sempre mais indicado utilizar substâncias naturais, como flores, frutas e ervas, sempre com cheiros suaves, e nunca aplicá-los direto na pele do bebê, e sim no ambiente. Incensos não devem ser usados, pois a fumaça é prejudicial ao bebê. Com o tempo, será possível perceber quais cheiros o bebê gosta mais e quais aromas até ajudam a acalmá-lo.

Confira na próxima semana, dia 23 de abril, a quarta matéria da série: O desenvolvimento da audição do bebê

+ Série – Os cinco sentidos do bebê: Como estimular o tato do bebê desde a gestação e após o nascimento  

+ Série – Os cinco sentidos do bebê: Saiba como estimular o paladar da criança desde a gestação e após o nascimento 


Fonte:

Karina Weinmann, neuropediatra e cofundadora da clínica Neurokinder (CRM/SP 127419)

Suzana Macedo Soares, consultora em educação infantil e autora do livro Vínculo, movimento e autonomia – educação até 3 anos (Editora Omnisciência)

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