Segundo os especialistas, a importância do pai é fundamental no sucesso do aleitamento e já foi comprovado até por estudos

Dar o peito ao bebê é um dos momentos mais importantes da relação entre mãe e bebê. Mais do que um superalimento, a amamentação proporciona a criação de um vínculo afetivo muito forte, já que a primeira relação social do bebê é a figura da mãe, representada pelo seio materno. Por isso, essa é uma das formas mais eficazes de o recém-nascido se sentir acolhido e seguro.

No entanto, essa ligação tão próxima e prazerosa entre mãe e filho pode acabar fazendo com que o pai se sinta um pouco deslocado e inseguro e se distancie do importante papel do homem nesse processo.

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“O pai é fundamental no suporte às mães e pode auxiliar de várias formas: ajudar na posição adequada, verificar se a pega está correta, controlar os intervalos entre as mamadas; e dar todo o suporte enquanto a mãe se dedica exclusivamente a este momento”, explica a enfermeira Monica Pontin, supervisora do Grupo de Apoio ao Aleitamento Materno (GAAM) do Hospital e Maternidade São Luiz Anália Franco.

Os benefícios da participação do pai na amamentação já foram até comprovados por um estudo dos cientistas da Universidade de Ontário, no Canadá, e publicado na revista norte-americana Pediatrics. Segundo a pesquisa, 95% das mães que receberam apoio dos pais na amamentação continuaram amamentando ao longo de três meses ou mais.

Compartilhando informações
Mesmo se tratando de uma experiência pela qual o sexo masculino nunca irá passar, o pai também tem o desafio de compreender a amamentação. Para tanto, é recomendável que ele se interesse pelo assunto antes mesmo do parto; conversando, pesquisando e lendo sobre o tema. O pai até mesmo pode participar de cursos sobre amamentação, para apoiar a esposa.

“É importante que o casal esteja alinhado em relação aos conhecimentos sobre o tema, compartilhando leituras e links na internet. Debater o assunto a partir das orientações médicas, experiências de amigos e familiares, para juntos buscarem conhecimento atualizado”, recomenda a fonoaudióloga especializada em amamentação Aline Elise Gerbelli Belini.

Apoio moral
Na opinião da obstetriz e consultora em amamentação Ana Paula Garbulho, do GAMA (Grupo de Apoio à Maternidade Ativa), outro papel do pai é fortalecer, acima de tudo, a confiança da mãe. “Mostrar apoio ativo nas decisões e defendê-la de palpites equivocados, que só desestimulam a amamentação. Aquele pai que olha com orgulho a esposa amamentando o filho, estimula e fortalece o aleitamento.

Outro ponto negativo que atrapalha o processo é a falsa ideia de que o homem não pode fazer nada, já que é a mulher quem amamenta. Ele não tem o seio, mas tem um outro papel importantíssimo”, lembra a obstetriz Ana Paula Garbulho.

Depois do nascimento, o pai deve se tornar o protetor do binômio mãe-bebê. Ou seja, estar presente, apoiar a mãe nos momentos difíceis e realizar outras tarefas do dia a dia para que ela possa se dedicar exclusivamente à amamentação. Além de ajudar no sucesso do aleitamento, essa dedicação cria um vínculo familiar muito importante para a união da família.

Os pais também precisam de apoio

A curta licença-paternidade, de apenas cinco dias, a que os pais têm direito no Brasil, não oferece tempo suficiente para que o homem se envolva na amamentação de maneira adequada. “A licença-paternidade não permite que os homens se dediquem exclusivamente para sua família por um período maior. A iniciativa de algumas empresas com a proposta de aumentar esses dias tem sido, talvez, uma das melhores estratégias para envolver o pai em todo esse processo”, opina a enfermeira Monica Pontin.

Desde maio, a licença-paternidade de servidores públicos federais foi ampliada de 5 para 20 dias. E desde março, o benefício é válido também aos pais que trabalham em empresas que fazem parte do Programa Empresa Cidadã.
O cenário é muito distante, por exemplo, em relação aos pais suecos, que têm direito a 1 ano e 4 meses de licença, mas já é um segundo passo na direção de um mundo melhor.

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Fontes: Monica Pontin, enfermeira e supervisora do Grupo de Apoio ao Aleitamento Materno (GAAM) do Hospital e Maternidade São Luiz Anália Franco (COREN/SP 140541)
Ana Paula Garbulho, obstetriz e consultora em amamentação do GAMA (Grupo de Apoio à Maternidade Ativa) (COREN/SP 000019)
Aline Elise Gerbelli Belini, fonoaudióloga especializada em amamentação na Amamãetar – Apoio ao Aleitamento Materno (CRFa2 – 11501)

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