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“Logo após o tratamento de um câncer de mama, consegui engravidar e amamentar”

Com a mesma mutação genética ao câncer da atriz Angelina Jolie e prestes a retirar a mama, a empresária Adriana Chambon venceu a doença e teve mais dois filhos
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“Em 2012, fui diagnosticada com câncer de mama. Quando abri o exame, estava em casa e percebi imediatamente o drama. Não sei dizer o que aconteceu, mas naquele momento me senti a pessoa mais forte do mundo. Entendi que eu deveria passar por tudo o que estava por vir.

O mais difícil foi contar para o meu pai e meu marido, já que a minha mãe e a minha sogra morreram por causa do câncer de mama. Ter acompanhado de perto o tratamento dessas duas guerreiras, foi a força que eu precisava no momento do diagnóstico. Prometi a mim, à minha família e a elas que eu lutaria tanto quanto elas, mas que o meu final seria diferente.

Mesmo a cirurgia tendo sido um sucesso, foi necessário fazer uma quimioterapia das bravas e radioterapia. Durante as sessões, eu usava por horas uma touca de gelo (foto abaixo), que diminuía os vasos sanguíneos da cabeça e, consequentemente, passava menos droga, o que impactava menos o couro cabeludo. Tive metade do cabelo perdido, mas não fiquei com falhas, então não precisei raspar. Para mim isso teve uma grande importância! Muitos falam que cair cabelo é ‘o de menos’, mas não é. É uma das coisas que mais impactam a autoestima.

câncer de mama

Por conta do tratamento, corria o risco de ficar infértil e não mais poder ter o meu segundo filho, que era um sonho meu e do meu marido. Na época, meu filho Pedro estava com quatro anos e a ideia sempre foi ter 3 filhos.    

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Minha última sessão de radioterapia foi na última sexta-feira antes do Natal. Tive a oportunidade de passar as festas de fim de ano livre da doença. Mas essa não foi a maior prova de que valeu a pena lutar. Em seguida, num exame de rotina, descobri que estava grávida de 14 semanas! Sim, depois de um 2012 de muitas lutas, 2013 havia chegado para me provar que, apesar das pedras no caminho, vale a pena enfrentar uma a uma e que somos sim capazes de vencê-las!

Mesmo com o diagnóstico de câncer, eu já falava do sonho de ser mãe novamente. Não encarei o risco da fertilidade como uma tristeza, apenas coloquei na minha cabeça que as coisas aconteceriam no seu tempo.

Também tive a sorte de ter médicos muito humanos que me deram a chance de sonhar e planejar a minha vida. Por isso, fiz o congelamento de óvulos e ainda tomei um remédio para bloquear os ovários para que a quimioterapia não interferisse na produção deles.

A gravidez foi realmente uma surpresa, pois um pouco antes de engravidar, eu já havia discutindo a melhor forma de prevenção, pois o correto seria esperar ao menos dois anos, quando tem a maior chance da doença voltar.

Não sei te dizer se foi o inconsciente, mas acredito muito que era para ser assim. Estava com medo até de contar para a minha oncologista, mas no dia, ela se emocionou e apenas me disse: “Quer prova maior que você está curada?”. 

Em setembro de 2013, o Luiz Eduardo nasceu saudável e faminto! Agora vinha a outra parte do meu sonho: conseguir amamentar o meu pequeno também com a mama direita – a operada. Na época do tratamento e sem nenhuma ideia de engravidar, eu já falava para o meu médico: “Eu ainda vou amamentar com essa mama”. E o pensamento positivo deu certo.

Por dias, tive leite apenas na mama esquerda, que eram totalmente suficientes para o crescimento dele, mas continuava insistindo em oferecer a mama direita, assim como indicou o meu mastologista querido e as enfermeiras da maternidade.

Não sabíamos ao certo se seria possível ou não, porque a radioterapia poderia ter afetado os ductos mamários. Não desisti, mas também não me permiti ficar triste ou me cobrar qualquer coisa. Afinal, o meu bebê estava ali comigo e isso superava tudo.

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Cinco dias depois, senti a primeira descida do leite. Não era aquela abundância, mas o suficiente para realizar mais um sonho de amamentar o meu bebê com a mama operada. Confesso que fiz isso mais por mim do que por ele, mas eu precisava tentar. A amamentação na mama direita durou pouco, mais foi uma das coisas mais lindas que eu já vivenciei na minha vida.  Nunca esquecerei daquele momento meu e do Dudu quando senti a descida do leite pela primeira vez.

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Em 2015, quando já conversava com meus médicos sobre a retirada dos ovários e também sobre uma possível mastectomia (retirada da mama), pois eu tenho a mutação no BRCA1 (igual à Angelina Jolie), descobri que estava grávida do meu 3º bebê!

 O João Felipe nasceu em Novembro de 2015 lindo e saudável. Novamente consegui amamentar nas duas mamas e mais uma vez, sem qualquer pressão se conseguiria ou não.

O Dudu e o Lipe vieram completar meu trio. Em 2012, ano do tratamento, meu filho mais velho tinha apenas 4 aninhos e dele veio a minha maior força! Agora, olho para os três e tenho a certeza que todas as dificuldades que eu passei apenas serviram para me tornar mais forte.

O câncer ressignificou a minha vida e passei a me dar mais valor. Pode parecer egoísta, mas aprendi que preciso estar bem para fazer aqueles que eu amo feliz. Então, para trazer felicidade aos outros, a primeira pessoa a ser feliz sou eu mesma!

Para aquelas mulheres que acabaram de receber o diagnóstico ou estão em tratamento, dou um conselho: acredite no sonho!  O mais importante é saber de histórias boas e com final feliz. Sou uma prova viva, eu acreditei”.


Depoimento da empresária Adriana Chambon, 38 anos, dado ao Clickbebê

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