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Homem ajuda a salvar milhares de bebês em 60 anos de doação de sangue

James Harrison tem componente sanguíneo raro usado em remédio que previne doença em recém-nascidos; última doação foi aos 81 anos
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O australiano James Harrison, de 81 anos, doou sangue ao longo dos últimos 60 anos, o que somou 1.173 doações. Nesse tempo, ele ajudou a salvar a vida de mais de dois milhões de bebês em seu país.

Diferente de outras pessoas, o plasma do sangue de Harrison contém um anticorpo usado para fazer uma medicação chamada Anti-D, que é administrada a mães com um tipo sanguíneo negativo.

O remédio previne a doença hemolítica do recém-nascido (HDN, na sigla em inglês), que pode causar anemia, insuficiência cardíaca e até a morte.

Última doação

Apelidado de o homem do ‘braço de ouro’, Harrison fez sua última doação na sexta-feira, 11, porque o Serviço de Sangue da Cruz Vermelha da Austrália só permite doadores até os 81 anos. Quase toda semana, ele doava de 500 a 800 mililitros de plasma sanguíneo. 

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“É um dia triste para mim. É o fim de uma longa jornada”, disse o idoso. “Eles me pediram para ser uma cobaia, e eu tenho doado desde então. Eu continuaria [doando] se eles permitissem”, disse.

Em abril, o serviço da Cruz Vermelha publicou uma foto de Harrison no Facebook e pediu que as pessoas enviassem mensagens para agradecê-lo por todas as doações que ele fez e vidas que ajudou a salvar.

Sangue raro

Harrison produz naturalmente o anticorpo necessário para impedir o desenvolvimento da doença nos bebês, o que faz dele o doador ideal.

“Cada ampola de Anti-D já feita na Austrália tem James nela”, disse Robyn Barlow, coordenadora do programa que recrutou Harrison, o primeiro doador. A primeira mulher que recebeu o medicamento foi no Royal Prince Alfred Hospital em 1967.

Jemma Falkenmire, da Cruz Vermelha, disse que “pouquíssimas pessoas têm esses anticorpos em tão grande concentração. O corpo dele produz muitos deles e, quando ele doa, seu corpo produz mais”.

Os cientistas suspeitam que essa produção rara tenha algo a ver com as 13 transfusões de sangue que Harrison recebeu após passar por uma grande cirurgia torácica aos 14 anos de idade.


A matéria é do jornal O Estado de S. Paulo

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