Não há porque interromper a carreira profissional, quando ocorre a gravidez.

Aliás, nos casos em que a mulher está em uma carreira profissional ascendente, é muito recomendado que ela não interrompa o seu trabalho em função da gestação, para evitar que se criem e acumulem ressentimentos inconscientes com o bebê em função de “um dia não ter podido progredir por conta dele”.

Nos casos, então, em que a gestante continue trabalhando, o mais óbvio é o aspecto corporal: o ritmo de esforços físicos deverá ser cada vez mais atenuado conforme a gestação avança, a exposição a riscos deverá cair a zero desde as primeiras semanas e o desempenho de certas funções, como a manipulação de produtos tóxicos ou a exposição à radiação, devem ser abolidas, por serem perigosas e não recomendadas para mulheres durante a gravidez.

Assim, gestantes que trabalham em serviços de exames radiológicos, como médicas ou dentistas, ou na indústria química, como técnicas ou especialistas de nível superior, podem ser afetadas por esse tipo de trabalho.

Profissões menos sofisticadas também pedem cuidado: faxineiras (pelo risco de escorregarem e caírem), lavadeiras (pelos repetidos esforços físicos feitos pelos braços, com apoio no ventre), motoristas (pelo risco de comprimirem o feto contra o volante do veículo), pintoras (pela inalação e manuseio de produtos químicos), cozinheiras (o calor frente ao baixo ventre aumenta a excitabilidade uterina e pode provocar parto prematuro). O menos óbvio, mas também muito importante, é o aspecto emocional.

Como a gestante costuma apresentar intensa flutuação de humor, inúmeras vezes de maneira totalmente imprevista, em função das alterações hormonais e mesmo da mobilização de sentimentos mais profundos, situações profissionais que requeiram tarefas ou decisões em grupo costumam demandar mais paciência e compreensão por parte dela mesma e dos colegas, sejam superiores, subordinados ou pares: de repente, pode brotar um choro ou um gesto de exasperação, em situações nas quais antes não ocorriam.

Além disso, não é indicado que a gestante fique várias horas seguidas sentada na mesma posição, especialmente com as pernas para baixo, pois isto pode acentuar a probabilidade de surgimento de varizes. Nesses casos, o correto é disciplinadamente adotar intervalos de hora em hora, andando com cuidado por ali mesmo.

No horário de almoço, se houver estrutura para isto no ambiente de trabalho, a gestante pode também deitar uns minutos, de pernas esticadas, ou até realizar exercícios ligeiros.

Lembrando sempre que, se sentir dores ou um nível muito maior de mal-estar, deve procurar seu médico obstetra imediatamente, pois pode ser o caso de ter de interromper a rotina profissional naquela fase ou, mesmo, até o parto.


Revisado por: Marcus Cavalheiro, Médico Ginecologista e Mestre em Obstetrícia pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp) (CRM/SP 30.077)