Seu bebê demorou nove meses para se desenvolver dentro de você – parece ser um longo período, não?

— mas para nascer é bem mais rápido. Todo o processo de parto é uma questão de horas. Em média, dura 14 horas para as primíparas (mulheres que estão tendo o primeiro filho) e 8 horas a partir do segundo filho.

E sobre este momento muitas dúvidas ainda estão na sua cabeça. Como será? Sentirei muita dor? Estarei calma ou nervosa, tranquila ou tensa quando chegar o momento? Suportarei a ansiedade? Conseguirei participar de uma maneira correta na hora do parto? Estarei voltada só para mim e o bebê? Terei preocupações? Essas são dúvidas e expectativas que a maioria das gestantes tem.

Você já teve uma noção do desenvolvimento do bebê, das mudanças ocorridas no seu corpo. Agora, resta saber de uma maneira bem simplificada como se processa o parto, da forma mais natural possível.

O parto se divide em 3 etapas, e deve ser lembrado que esta sequência varia um pouco de mulher para mulher: as etapas são as mesmas, a duração de cada uma é que pode variar:

1. Trabalho de parto

a. Fase latente ou precoce
b. Fase ativa
c. Fase transicional

2. O parto

3. Expulsão da placenta

Vejamos, fase a fase, como isto ocorre.

1. Trabalho de parto

O trabalho de parto tem início com 3 principais indicadores característicos:024

– A eliminação de uma secreção espessa com filetes de sangue, que é o tampão mucoso;
– O rompimento da bolsa d’água (líquido amniótico);
– As primeiras contrações, um pouco mais intensas do que as que você sentia ao final da gestação (a barriga começa a se contrair e você poderá sentir dores na região lombar e nas partes internas das coxas).

Este início do trabalho de parto ocorre ao começar a dilatação do colo do útero, momento no qual o bebê já se prepara para sair.

a. Fase latente ou precoce

Esta fase costuma ser a mais longa, mas menos intensa, com a dilatação do colo do útero podendo atingir até 3 centímetros. Durante toda sua duração manifestam-se as contrações (30 a 45 segundos por contração), as quais podem ser regulares ou não.

Nesta fase você poderá sentir dores nas costas, cólicas semelhantes às da menstruação, sensação de calor no abdômen, eliminação do tampão mucoso ou rompimento da bolsa d’água. Você poderá sentir apenas um desses sintomas ou alguns deles ao mesmo tempo.

Procure relaxar. Informe o médico obstetra sobre o que está sentindo e ele lhe dirá qual é o procedimento mais adequado: se ele recomendar que espere mais um pouco em casa, deite-se e espere, mas não de costas e, sim, sobre o lado esquerdo; se não conseguir ficar deitada, procure algo para fazer.

Qualquer atividade – não pesada – ajudará o tempo a passar até que seu corpo progrida para a fase seguinte. Faça uma pequena caminhada, mesmo em casa, distraia-se e se ocupe!

Tome um banho e faça uma refeição, mas ligeira, pois estômago cheio poderá ser mais tarde prejudicial. Balas e chocolates (para combater a ansiedade) são aconselháveis.

Marque o tempo das contrações, mas não seja escrava do relógio durante esta fase. Procure respirar naturalmente. Seu companheiro poderá realizar massagens nas suas costas. Isso é bom para seu corpo e um mimo neste momento nunca é demais!

b. Fase ativa

Neste momento você já deverá estar na maternidade e seu médico é quem a esclarecerá sobre o processo que está acontecendo com você.

025Esta fase é mais intensa, mais ativa e mais breve do que a primeira, podendo durar em média de 2 a 4 horas, com as contrações se tornando mais intensas, prolongadas e frequentes.

As contrações podem durar de 45 a 60 segundos, em intervalos de 3 a 4 minutos (a média é de 3contrações a cada 10 minutos), a dilatação do colo do útero pode chegar a 7 centímetros e nesta fase você já pode iniciar os exercícios respiratórios.

Quando as contrações se tornarem mais fortes, procure emitir sons como gemer, cantar ou até gritar, pois emitir sons fortes induz à produção de hormônios semelhantes às endorfinas, as quais atuam como analgésicos internos e naturais e propiciam uma ligeira alteração do seu estado de consciência.

Nesta fase você deverá procurar relaxar, se possível, nos intervalos das contrações. Procure a posição que lhe dê maior conforto e permita à força da gravidade ajudar a saída do bebê (em pé, sentada, agachada, de cócoras ou ajoelhada), mas se em nenhuma destas posições você sentir alívio, busque uma que a faça se sentir melhor. De qualquer modo, é bom treinar estas posições durante os últimos meses da gestação, para lembrar-se com facilidade na hora do parto.

Exemplos de posições para o trabalho de parto

A posição de cócoras permite que as articulações pélvicas (da bacia) atinjam uma maior abertura. Então, a força da gravidade poderá atuar e as contrações terão maior eficácia no processo de expulsão do bebê.

É importante você não se desgastar muito numa posição, pois terá que descansar entre uma contração e outra. A posição ajoelhada pode ser usada em qualquer momento do trabalho de parto. É uma posição confortável, principalmente no período de maior dilatação, quando o colo do útero atinge de 7 a 10 centímetros de abertura. Permite também que você movimente os quadris.

Como neste momento você provavelmente já estará na maternidade, os cuidados médicos e as orientações sobre o que fazer já estarão sendo dados a você.

c. Fase transicional

É a fase mais intensa e desgastante do trabalho de parto. É o final da dilatação do colo do útero, estando o corpo quase totalmente preparado para o seu bebê nascer. As contrações podem durar de 60 a 90 segundos cada, em intervalos de 2 a 3 minutos, e você poderá achar que “nunca mais vai conseguir relaxar” entre uma contração e outra. Sentirá uma pressão involuntária, como se quisesse evacuar.

Nesta fase, além dos efeitos das endorfinas, as quais por si só já alteram o seu estado de consciência, o fluxo de oxigênio é desviado do cérebro para a região do parto, razão pela qual muitas mulheres sentem sonolência.

Além disso, você poderá sentir desânimo, irritação, desorientação, inquietude, dificuldade na concentração e muita tensão emocional. Calma, muita calma! Não fique pensando no que vem pela frente, mas, sim, como chegou até aqui! Neste momento, você já deverá estar na sala de pré-parto ou de parto e será instruída como agir com a sua respiração. Você já foi treinada para isto e, lembre-se: falta pouco para o encontro com o seu bebê!

2. O parto026

Até aqui você simplesmente suportou as dores das contrações e procurou ficar nas posições mais confortáveis, mas quem trabalhou mesmo foi seu útero e o seu bebê.

Neste momento as contrações são mais espaçadas e menos dolorosas, mas mais intensas. Se você tiver sido anestesiada para um parto cirúrgico, provavelmente não sentirá mais nada, mas se o parto for normal terá que colaborar bastante.

E o momento da expulsão e a duração podem variar bastante de caso para caso. Você já estará na posição indicada para o tipo de parto que vai realizar.

Episiotomia

Neste instante é que o obstetra fará a episiotomia, popularmente conhecida como “pique” ou “corte”. Isto é um procedimento cirúrgico em que o médico obstetra faz uma incisão ou corte para aumentar a abertura vaginal, num procedimento de rotina nos hospitais: é feito para evitar o dilaceramento ou a distensão excessiva da musculatura e da pele, do períneo e da vagina, para que a mãe volte a ter em breve seu períneo normal como antes do parto.

Quanto mais eficazes forem seus esforços, mais facilmente e em menos tempo o bebê percorrerá o canal do parto. Não faça esforços desnecessários, pois a sua energia não pode ser desperdiçada neste momento. Não se esqueça de seguir as vontades naturais de seu corpo. Faça o esforço necessário sempre e quando for instruída para isso. Neste momento, você não estará sozinha, mas muito dependerá de você.

A partir do momento em que a cabeça do bebê começar a sair, tudo fica mais fácil. É que a cabeça do bebê é a parte mais volumosa dele e não é flexível como o corpo, razão pela qual o restante do parto se processa de uma forma mais rápida e fácil.

Ele vai nascer sujo, coberto por restos da vernix caseosa, vomitará um pouco de líquido amniótico, estará irritado pelas pressões sofridas durante o parto 028e chorará forte, mas é seu bebê e é lindo, lindo, lindo e tão esperado!

Bilhões de pessoas já nasceram neste mundo, inclusive você, e seu bebê também nascerá. Um parto nunca é igual ao outro, mesmo para uma mesma mãe.

As etapas que aqui apresentamos são semelhantes às que já aconteceram com quase todas as mulheres. Mas fique consciente que se em algum momento estas etapas variarem ou surgir algum fator complicador (ausência de contrações, posição pélvica do bebê, resistência do colo do útero à dilatação, etc.), o seu parto poderá ser diferente.

Seu médico obstetra saberá conduzi-lo da melhor forma, para garantir sua saúde e a do bebê. Tenha confiança!

3. Expulsão da placenta

Neste momento você já terá visto seu bebê, mas saiba que seu corpo ainda continua no processo do parto, em uma fase bem mais simples e que não requer mais tanto esforço seu.
É a fase da expulsão da placenta, aquela que foi o esteio do bebê durante 9 meses.

Após a expulsão do bebê, o útero continua a se contrair para que a placenta se desprenda da parede uterina e seja eliminada do seu organismo. É a natureza mais uma vez atuando, pois o útero já inicia o processo para voltar ao normal.

Seu médico vai proceder à sutura da incisão feita nos músculos e na pele da vagina para facilitar o seu parto. Não dói nada, pois ele anestesiou tudo durante o parto e você nem notou o que se passou.

Neste instante, você, ainda na sala de parto, com certeza estará experimentando uma sensação maravilhosa e indescritível, e também euforia, sublimação, engrandecimento, enorme alegria e dúvidas, muitas dúvidas, mesmo.

Para cada mulher existe uma maneira diferente de reagir perante este fato novo, principalmente se for o seu primeiro parto, mas seus instintos a conduzirão para atuar da melhor forma possível, com o apoio do médico que a acompanhou até aqui!

Confie em si mesma, no bebê e no seu médico obstetra!

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