O útero é um músculo e faz parte dos órgãos pélvicos junto com a bexiga e o reto. Os órgãos pélvicos ficam dentro do abdômen e se apoiam nos músculos que constituem o assoalho pélvico, músculos que estão apoiados nos ossos da pelve (bacia). Quando você não está grávida, seu útero tem a forma de uma pera invertida.

A partir do momento em que o embrião é gerado pela fecundação de um óvulo, ocorre toda a mudança hormonal e, por consequência, o útero começa a crescer para o bebê se desenvolver dentro dele. O peso do útero aumenta de 100 a 1000 gramas até o final da gravidez e a quantidade de líquido amniótico, que é de um quarto de xícara no início, passa para um litro ou um pouco mais até o final da gravidez.

Nas primeiras semanas de gestação o útero cresce pelo aumento do seu próprio tecido muscular, em resposta ao efeito dos hormônios. A seguir, suas paredes ficam mais espessas para que o bebê fique bem protegido. No 3º mês ele já está do tamanho de uma bola de tênis. E por se encontrar no baixo ventre, pressiona a bexiga, provocando o desejo frequente de urinar; além de dar a sensação de “inchaço”, como se a gestante fosse menstruar.

Entre o 4º e o 5º mês cessa o crescimento do útero e ele passa a se expandir pelo crescimento do bebê. Com o aumento do útero, o abdômen se arredonda e o diafragma é comprimido, pressionando os pulmões e deslocando todos os órgãos. À medida que o volume uterino se amplia, sua posição varia e todo o seu corpo vai se adaptando.

No 3º mês ele está no nível superior da pelve, no final do 4º atinge a metade do caminho (no nível do umbigo), no 5º mês a gestante está se acostumando e se adaptando às mudanças, e no 6º mês a parte superior do útero já avolumou ainda mais e está acima do umbigo. Nos meses subsequentes ele tenderá a se expandir cada vez mais e, ao final de tudo, lá pelo 9º mês, terá tomado conta de todo o abdômen, levando o ventre a se abaixar, bem próximo ao nascimento do bebê. Já imaginou o quanto será exigido de suas pernas e da coluna para sustentar todo este peso extra, como o útero, a placenta, o líquido amniótico e o bebê?

Músculos pélvicos

O útero está aderido aos músculos do assoalho pélvico através de ligamentos. Já a musculatura do assoalho pélvico se fixa nos ossos pélvicos. Tais ossos possuem articulações, isto é, “dobradiças” de um osso com outro. Na gravidez, as articulações sacroilíacas, sínfise púbica e sacrococcígea vão ficar mais relaxadas, para permitir a passagem ao bebê no momento do nascimento. Entretanto, este relaxamento e o afastamento dos ossos se dão gradualmente, pouco a pouco, levando-a, às vezes, a sentir uma pequena dor no baixo ventre. Fique atenta, pois pode ser apenas o afastamento dos ossos da bacia. Mas se a dor se acentuar demais, procure seu médico.

Músculos abdominais

Outros músculos, além do útero, estão ligados à bacia. São os músculos abdominais, os costais e os das pernas. Se seus músculos abdominais estiverem bem fortalecidos e bem trabalhados, eles poderão sustentar melhor o peso do útero, que aumentará dia após dia durante 9 meses. Os músculos do abdômen são o reto, o transverso e os oblíquos. O músculo reto é aquele que está na frente do abdômen.

Durante a gravidez este músculo “se afasta” em duas porções, à direita e à esquerda, para dar espaço ao útero que se expande. Este afastamento pode chegar até 15 centímetros. Os músculos transverso e os oblíquos são mais internos, mas também atuam na sustentação do útero.

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Músculos dorsais

Se você trabalhar bem a musculatura das costas, seu corpo estará mais bem preparado para compensar o peso que se deslocará para frente, conforme a barriga for aumentando.

Pois esta musculatura é a responsável pela manutenção da coluna e pela sustentação da barriga. Imagine se não houvesse esta compensação da musculatura das costas! Com certeza você cairia para frente…

O bom desenvolvimento muscular, com o equilíbrio das forças da frente (abdômen) e de trás (costas), permitirá a você desenvolver uma boa postura e, provavelmente, as dores nas costas não ocorrerão.

Este fortalecimento muscular é conseguido através de exercícios de contração e de relaxamento, pois na gravidez o ponto de equilíbrio para você se manter de pé se desloca, isto é, o seu centro de gravidade muda aos poucos de lugar, alterando a sua postura.

Dor pélvica e nas costas

Se você tiver um bom fortalecimento muscular durante a gestação, evitará muitos problemas com as dores nas costas, que são muito comuns na gravidez. Carregará a barriga de uma maneira mais segura e, consequentemente, terá condições de realizar um parto mais seguro e confortável.

Evidentemente, nenhum músculo está “solto” no seu organismo… Cada um deles está preso em algum osso, através dos ligamentos, e o mesmo acontece com os músculos das costas, que também estão presos à coluna vertebral.

A coluna vertebral

Todo o seu corpo está sustentado por um eixo central, a coluna vertebral. Ela é composta de pequenas vértebras e entre cada uma delas existe um disco esponjoso de cartilagem que atua como “amortecedor” de choques e impactos e permite os movimentos de flexibilização das vértebras da coluna, umas com as outras.

A coluna mantém o peso do corpo em equilíbrio. Dentro dela está a medula espinhal, da qual saem todos os nervos para o pescoço, tronco e membros. Na gestação, a coluna, além de todas as funções que já desempenha normalmente, vai realizar uma função a mais: sustentar o peso do seu útero, da placenta e do líquido amniótico e do bebê.

Então, conforme o bebê vai crescendo, a curvatura da coluna tende a aumentar para compensar o peso da barriga que está indo para frente. Se não houver consciência destes desequilíbrios, e se você não cuidar devidamente do corpo, poderá ocorrer uma má postura e, por consequência, dores nas costas e prejuízos gerais ao seu organismo.

Postura correta e postura errada

Para a gestante, o importante é garantir o desenvolvimento de uma boa postura para minimizar os desconfortos. Por isso, é necessário um trabalho harmônico e equilibrado de toda a musculatura corporal. Com a prática de exercícios você poderá fortalecer os músculos da coluna, além de aliviar ou pelo menos suavizar suas dores lombares.

Deve-se sempre executar exercícios para a musculatura posterior (os músculos da parte de trás do corpo) e para a musculatura anterior (os músculos que ficam na frente do corpo), pois ambas as musculaturas realizam um trabalho coordenado para a manutenção do equilíbrio corporal.

O fortalecimento muscular neste período vai permitir a sustentação mais eficiente e o aumento gradativo do peso corporal ao longo dos meses. Assim, os desequilíbrios gravitacionais serão compensados e será proporcionada uma movimentação mais segura e sem dores nas suas atividades cotidianas, além de garantir um maior sucesso no parto e no período de pós-parto, permitindo à gestante, após o nascimento do bebê, voltar com maior facilidade a ter o corpo que tinha antes da gestação.

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