Sistemas circulatório, respiratório e gastrointestinal. Depois da gravidez, suas células também mudaram. Umas passaram a produzir mais líquido, mais água, mais hormônios e outras também se desenvolveram para haver uma melhor circulação sanguínea, a fim de levar pelo sangue tudo o que o bebê precisa.33.1

O sangue da mãe não se mistura com o sangue do feto, mas é ele que nutre a placenta e, por ela, o bebê em formação. Por isso, para que o seu corpo continue bem alimentado e daqui por diante o bebê possa também ser bem nutrido, o volume de sangue aumenta durante a gravidez. A quantidade de sangue que você tinha antes de engravidar era bem menor do que você tem agora, e pode chegar a aumentar até em 50%.

É por isso que nos primeiros meses você se sente um pouco mais cansada e com vontade de deitar. É que seu organismo, nesta fase, está numa grande atividade para produzir mais sangue e carregar todos os nutrientes necessários para formar o que agora está crescendo dentro de você: útero, placenta, membranas, fibras musculares e o seu bebê. Além disso, ao aumentar o volume de sangue, o coração terá uma carga maior de trabalho, assim como seus rins serão mais exigidos, porque irão filtrar maior quantidade de sangue.

Veias varicosas

33.2Durante a gravidez acontece um aumento do volume de sangue e, consequentemente, o coração tem que trabalhar mais. As veias que transportam o sangue também sofrem uma pequena dilatação, com possível tendência a formar varizes. Na região pélvica, a pressão exercida pelo aumento do volume do útero sobre as veias e artérias dificulta a circulação do sangue. As veias normalmente transportam o sangue das extremidades do corpo para o coração, trabalhando contra a força de gravidade ao levar o sangue para cima e, por este trabalho, têm válvulas que impedem o retorno do sangue.

Em algumas pessoas, geralmente por herança genética, estas válvulas não trabalham de maneira eficaz, causando um “represamento” do sangue nas veias, onde a força de gravidade é maior, distendendo-as internamente ou contra a pele. Em geral isso ocorre nas pernas, mas pode se manifestar no reto, caso em que se produzem hemorroidas, ou até na vulva, provocando as varizes vulvares. Veias que se distendem com mais facilidade tendem a provocar estes problemas. A obesidade também funciona como meio desencadeante de varizes.

Sistema respiratório

33.3Tão importante quanto a circulação sanguínea é a respiração. Se aumentar o volume do sangue, haverá necessidade de mais oxigênio para que seu corpo trabalhe melhor. Isto é uma das razões pelas quais, ao aumentar o volume sanguíneo, você se sente mais cansada e com falta de ar. Afinal, você precisa de um tempo para seu organismo se acomodar a estas situações.

É possível ficar sem alimento por poucos dias e ficar sem líquidos por algumas horas, mas não dá para ficar sem oxigênio por mais do que alguns segundos. Quando você respira, ocorrem trocas de gases nos seus pulmões. Na inspiração (quando o ar entra) o oxigênio é absorvido pelos pulmões e na expiração (quando o ar sai) gás carbônico é expelido.

E é nesse processo todo, muito rápido e inconsciente, e de forma que você nem imagina, que ocorre a oxigenação do sangue. Por isso, quanto mais eficiente for o seu ato de respirar, melhor será o resultado para você e para o seu bebê.

Numa respiração superficial, a que estamos mais habituados a fazer, este resultado não é tão eficiente como imaginamos. Mas numa respiração mais profunda, que mobiliza intensamente o diafragma (o músculo responsável pela respiração, “inflando” e “desinflando” os pulmões), as trocas de gases são mais completas e promovem melhor oxigenação do organismo.

Aliás, movimentar vigorosamente o diafragma, através de inspirações e expirações mais profundas, proporcionará um funcionamento natural e saudável para vários órgãos internos, inclusive os envolvidos com a digestão. Assim, você terá mais energia e disposição.

Para a respiração ocorrer de forma satisfatória, é preciso manter uma boa postura (tronco ereto, com os ombros bem posicionados), pois um tórax contraído, com ombros pendurados à frente, diminui a capacidade de inspirar, comprometendo todo o processo. Durante a gravidez, à medida que o bebê vai se desenvolvendo, o ato de respirar fica mais difícil, porque o bebê comprime os órgãos internos e também o diafragma, impedindo a livre movimentação. Contudo, se houver um bom treinamento da respiração durante a gravidez, você se sentirá melhor, terá uma melhor oxigenação sanguínea e quem mais ganhará com isso será o bebê, que vai receber um sangue mais bem oxigenado.

Sistema gastrointestinal

33.4Com o aumento do útero e todo o metabolismo modificado, seu estômago e os intestinos também não estão imunes a tais alterações. As náuseas e os vômitos são reações do seu organismo, quando os hormônios interferem no funcionamento do sistema gastrointestinal durante a gestação.

A musculatura do intestino torna-se ligeiramente hipotônica (com menor possibilidade de se distender ou movimentar) e os movimentos intestinais ficam mais lentos: é que o aumento de produção de hormônios como a progesterona e o estrógeno relaxa a musculatura lisa, até mesmo a do sistema digestivo.

Desta forma, uma dieta equilibrada, com mais ingestão de fibras, pode diminuir os desconfortos provocados por tais alterações. E como os alimentos se movem mais vagarosamente no sistema gastrointestinal, você poderá sentir má digestão e uma constante sensação de saciedade.

Como não poderia ser diferente, outra vez, neste processo todo o mais importante é o bebê. Graças a esta demora, o trânsito lento dos alimentos pelo intestino favorece a absorção dos nutrientes pela sua corrente circulatória, o que é muito bom para o organismo do bebê.

Sistema nervoso

33.5Como já é previsível, com todo o seu sistema hormonal modificado podem ocorrer mudanças no humor, como ansiedade, distúrbios de sono, manias, aversão à comida ou apetites específicos, lentidão de raciocínio, etc. Se você sentir alguns destes sintomas, compreenda que seu sistema hormonal está em um regime incomum de funcionamento e atuando também sobre o seu sistema nervoso.

Caso não esteja sentindo nada particularmente difícil e que está conseguindo passar por todas as mudanças sem grandes problemas, isto significa que seu organismo está reagindo bem, de uma maneira integrada entre seu corpo e sua mente, fazendo com que os desconfortos sejam mais suaves. Evidentemente, outras mudanças podem estar ocorrendo.

Nunca fique com dúvidas e nem tenha medo de perguntar ao seu médico obstetra sobre o que se passa com seu organismo, principalmente durante a gravidez. As exigências a que seu corpo está submetido não devem ser subestimadas sob nenhuma hipótese.

Outras mudanças

Mamas

As mamas crescem em função de todo um sistema de irrigação, pois o organismo está se preparando para a lactação da seguinte maneira: há um aumento de fornecimento de sangue; aumento e escurecimento das aréolas; surge uma secreção que ajuda o mamilo a se tornar mais flexível e macio; e o leite aparece aproximadamente no 3º dia após o parto. Antes, o que seu bebê mama nos primeiros dias é o colostro.

O nível de prolactina (hormônio produzido pela hipófise) aumenta do começo ao final da gravidez. A formação do leite é contida pelos hormônios placentários e, assim que eles diminuem, mais ou menos no 3º dia após o parto, a prolactina pode atuar no sentido de produzir o leite.

Pele

33.6Grandes manchas podem aparecer na testa ou nas bochechas. São as chamadas “máscaras de gravidez”, que ocorrem por causa da alteração dos hormônios. Outro incômodo são as estrias que aparecem nas nádegas, abdômen ou nas mamas, em função do estiramento da pele. Elas são rupturas das fibras elásticas da pele que podem ser visíveis e se tornar permanentes, se não houver cuidados durante toda a gestação.

Algumas mulheres são mais sujeitas a este tipo de problema por predisposição genética, por tipo de pele ou até por engordarem muito rápido. Por isso, cuidado! Um aumento desnecessário de peso poderá levar a pele a se romper, produzindo estrias que jamais desaparecerão.


Revisado por: Marcus Cavalheiro, Médico Ginecologista e Mestre em Obstetrícia pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp) (CRM/SP 30.077)