O desejo de explorar só aumenta e, agora, seu filho pode se sentir mais à vontade para arriscar. Portanto, fique de olho, a fim de evitar acidentes e não tenha receio de dizer “não”, toda vez que for preciso. O bebê sobe e desce escadas sozinho e já consegue ficar em um pé só. Que diversão, já é possível brincar até de amarelinha!

Por ser uma fase de pleno desenvolvimento, a criança se torna muito mais atenta a todos os detalhes. Aproveite essa disposição e energia para lhe ensinar naturalmente o nome das coisas. Também a estimule com perguntas, como “cadê o brinquedo?” ou com as que exigem uma resposta de “sim” ou “não”. Em seguida, continue a conversa. Outro estímulo é não responder prontamente aos seus pedidos. Deixe-a tentar se expressar com algumas palavras.    

E não a subestime: o seu vocabulário, até os 24 meses, já consiste em 30 a 50 palavras, sendo capaz de entender 200 delas! Faz sentenças de duas palavras e começa a combiná-las: “quero leite”. Aproveite momentos assim para devolver com uma frase mais complexa, pois isto o estimula: “você quer tomar leite. Vou pegar”.    

Independência gradual

Com a coordenação mais evoluída, o bebê já consegue empilhar três blocos de brinquedo. Os desenhos, antes somente rabiscos sem nenhuma forma, agora já podem ser pequenos círculos e linhas mais retas. Algumas crianças dessa idade já conseguem até brincar com jogos um pouco mais complexos, como quebra-cabeças de algumas peças, por exemplo.

Cada vez mais independente, o bebê pode fazer questão de realizar algumas atividades sem a ajuda dos pais, como comer e trocar de roupa. Se ele quiser, deixe-o comer sozinho. Isso vai melhorar a sua coordenação e estimular sua autonomia.

Perto dos dois anos, já é hora de abandonar certos hábitos da rotina da criança. A mamadeira e o berço, por exemplo, estão com os dias contados. A transição deve ser o mais natural possível, sem forçar nada. Muitas crianças demoram a abrir mão da mamadeira, principalmente a noturna. Por isso, dê um tempo para ela se despedir totalmente do bico de plástico.

No aspecto emocional, a criança já mostra ansiedade em situações apropriadas, a exemplo de um cachorro bravo. Pode até mesmo demonstrar medo de coisas inofensivas, como objetos da casa. É importante acolher seus sentimentos, sem menosprezá-los, e apontar um jeito de lidar com a situação.

Pode ainda apresentar afeição e raiva em relação aos membros da família e se tornar mais sociável, conseguindo se acalmar quando se separa dos pais. Além disso, começa a querer se enturmar com outras crianças. No trato com os outros, é importante educar e colocar limites, para que a criança não comece a ter crises de birra, visando obrigar as pessoas a fazerem o ela quer, o que é natural nessa fase.

O mais importante é não perder a paciência e demonstrar firmemente a desaprovação ou semblante zangado. Aos poucos, a criança vai entendendo que suas ações têm consequências e que podem ser boas ou não. Recompensar o bom comportamento com elogios e carinho também é muito importante, pois assim a criança se sente estimulada a se comportar bem.

Tudo isso é muito importante para o desenvolvimento social do seu filho, que vai, aos poucos, aprendendo a conviver com outras pessoas e desenvolvendo o conceito de individualidade.

Alerta

Os pais devem conversar com o pediatra, caso a criança não apresente alguns marcos importantes de desenvolvimento:

– não fala nenhuma palavra;

– não responde à brincadeira de esconder;

– não tenta se locomover engatinhando ou andando;

– não aponta ou não se interessa em olhar figuras;

– não se reconhece em um retrato;

– não compreende uma proibição.   


Revisado por: Isabela M. Forni, médica pediatra formada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), autora do Blog Eludicar| Cuidado à criança. A profissional atende em unidades dr.consulta. (CRM/SP 163243).