O bebê de 1 a 2 anos começa a apresentar uma redução na velocidade de crescimento e, portanto, ocorre uma diminuição da ingestão alimentar. Mas não se preocupe, ele vai continuar ganhando peso sem afetar seu estado nutricional.  

Nessa fase, a criança pode ficar mais “chatinha” nas refeições e até brincar com a comida, a fim de desafiar a mãe. Alimentos que antes davam água na boca, podem ser recusados ou aceitos após muita birra. Tudo isso é natural e tem a ver com a redução no ritmo de crescimento e com as novas descobertas, como andar e explorar o mundo. 

O bebê já tem habilidade motora para segurar talheres e copos e deve sentar-se à mesa com seus familiares em um ambiente calmo e tranquilo, sem distrações. A amamentação deve continuar até os 2 anos, segundo recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

Se a mãe não puder fazer o aleitamento, a criança necessita de leite fortificado com ferro e vitamina A e D, com uma ingestão média de 600 ml por dia, podendo ser divididos em 2 ou 3 períodos, manhã, tarde e à noite. Ao longo do ano a mamadeira noturna não será mais necessária. Outro detalhe importante é nunca substituir uma refeição pelo leite.        

Nessa fase, as refeições podem ser semelhantes às dos adultos e devem ser bem variadas, a fim de estimular o apetite. Temperos, como alho, cebola, tomate, cebolinha e cheiro-verde, podem ser usados. É recomendado todo tipo de carne e vísceras, e deve se estimular o consumo de frutas e verduras, especialmente aquelas de folhas verde-escuras, ricas em cálcio, ferro e ácido fólico.

Sucos não devem ser oferecidos durante a refeição e o tamanho das porções precisa ser proporcional ao apetite da criança. Introduza novos alimentos, para que ela tenha a chance de sentir o sabor e a textura.

A dieta deve ser fracionada em seis refeições diárias, incluindo os lanches, que podem ser frutas, legumes crus, iogurte, queijo e pequenos sanduíches saudáveis. É importante oferecer alimento em intervalos de 2 a 3 horas. Os horários determinados são bem–vindos para criar uma rotina, mas a criança não precisa necessariamente comer ao meio-dia se ela não tiver apetite ou se consumiu algo um pouco antes. O importante é a criança ter fome.

A indicação médica é evitar ao máximo alimentos industrializados ou enlatados com corantes, como refrigerante, salgadinhos, suco de caixinha, frituras ou fast food, uma vez que esses hábitos mantêm-se na idade adulta, se consumidos desde muito cedo. Não é necessário restringir gordura, mas deve se dar preferência a alimentos sem gordura trans e estimular o consumo das gorduras saudáveis, como azeite.               

Não se deve usar a comida como forma de chantagem ou barganha, já que essa prática favorece distúrbios alimentares no futuro. O almoço deve ser um momento agradável para o bebê e a família. Estimule-o a comer sozinho e deixe-o manipular a comida com as mãos. Todas essas medidas serão fundamentais para estabelecer bons hábitos alimentares na infância e no futuro. 


Revisado por: Isabela M. Forni, médica pediatra formada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), autora do Blog Eludicar| Cuidado à criança. A profissional atende em unidades dr.consulta. (CRM/SP 163243).