O recém-nascido dorme em ciclos de 3 a 4 horas no primeiro mês de vida, independentemente de ser noite ou dia, e acorda basicamente para se alimentar. Aos 2 meses, o bebê já é capaz de ficar acordado por mais tempo, uma média de 2 a 3 horas. Após esse período é prudente colocá-lo para dormir, para que não fique exausto e tenha dificuldade para pegar no sono.

O lactente de 3 meses já começa a reconhecer a diferença entre o dia e a noite, e por isso costuma ter um sono mais prolongado à noite, diminuindo um pouco os intervalos das mamadas noturnas. Antes de chegar nessa fase, acostume-se a deixar a janela aberta durante o dia, mesmo nos cochilos, para ele aprender a notar a diferença. Também não feche a porta, para ele se habituar com os barulhos rotineiros da casa, como o som da descarga. Uma rotina adequada com as atividades diárias, como alimentação, banho e lazer, também ajudam a regular o sono e evitar problemas.

Nessa fase, a média de sono é de 15 horas por dia com uma variação de 4 horas, para mais ou para menos, conforme a criança. O sono acontece em quatro ou cinco períodos, enquanto dois terços ocorrem à noite.  

Risco

O bebê ainda está em fase de amadurecimento do sistema respiratório e, por isso, a posição de dormir é muito importante. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a posição mais segura é a de barriguinha para cima, tanto durante as sonecas como à noite. Estudos revelam que essa posição diminui em 70% as chances do bebê sofrer da Síndrome da Morte Súbita do Lactente (SMSL), que é quando uma criança saudável morre repentinamente durante o sono sem explicação, pois não há sinais de sufocamento e nem de engasgo.

Além disso, outras atitudes dos pais também ajudam a evitar o problema. Uma das principais é não dormir com o bebê na mesma cama sem os devidos cuidados, já que a prática aumenta em três vezes o risco de SMSL, e não colocar brinquedos, protetores de berço, fraldas de pano e outros objetos no berço do bebê.

6 meses     

Nessa fase, a maioria dos bebês é capaz de dormir toda a noite, mas podem acordar eventualmente por fome, sede ou desejo de aconchego. Dormem aproximadamente 14 horas diárias e o tempo de vigília é de 7 horas.

Aos 9 meses, o bebê pode apresentar distúrbios de sono, mesmo que nunca tenha tido problemas antes. As dificuldades coincidem com o desenvolvimento motor e cognitivo. Também pode influenciar em maior ou menor grau a ansiedade da separação, quando o bebê quer ficar “grudado” na mãe.

Nessa fase, não pense que os despertares acontecem por causa de fome. Aliás, dar leite só vai prolongar o problema. A recomendação é intensificar a rotina e tomar todos os cuidados da higiene do sono. Objetos de transição também contribuem para uma boa noite de sono.

Benefícios

Perto de um ano de idade, as sonecas diurnas devem se restringir a uma de manhã e outra à tarde, preferencialmente em horários fixos. Deve-se evitar pular a soneca para não prejudicar o sono noturno.           

Dormir é essencial para o desenvolvimento e a saúde do bebê. É durante à noite que existe a maior produção de hormônio do crescimento, consolidação da memória e restabelecimento das funções vitais. Horas de sono insuficiente podem causar sonolência diurna, cansaço e irritabilidade.

Em algum momento, um terço das crianças acaba apresentando algum problema, como dificuldade para começar a dormir ou despertares noturnos frequentes, o que acaba tornando o sono um dos principais desafios para os pais.

Porém, todo esforço em manter a qualidade do sono valerá a pena e fará muita diferença no desenvolvimento cerebral da criança, influenciando a fala e o desenvolvimento motor, além de prevenir problemas de peso no futuro.


Revisado por: Isabela M. Forni, médica pediatra formada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), autora do Blog Eludicar| Cuidado à criança. A profissional atende em unidades dr.consulta. (CRM/SP 163243).