A obesidade infantil vem crescendo em todo o mundo, muito por conta da mudança dos hábitos alimentares da população nas últimas décadas. No Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cada três crianças, uma está acima do peso adequado à sua idade.

Apesar de não ser muito frequente entre bebês, a obesidade infantil pode ter início já nos dois primeiros anos de vida. O diagnóstico de obesidade é clínico, baseado na história do paciente, no exame clínico e em dados antropométricos.  O índice aceito universalmente para a classificação da obesidade é o de massa corpórea (IMC), que é expresso pelo peso (em quilos) dividido pela altura (em metros) ao quadrado, devendo ser cuidadosamente aferido e colocado nas curvas dos gráficos preconizados pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Dependendo da idade e do percentil que o IMC da criança estiver, podemos classificá-la como peso adequado, sobrepeso ou obesidade. Tais curvas são fundamentais tanto para o diagnóstico quanto para a avaliação da evolução e durante o tratamento da criança com problema de sobrepeso ou obesidade.  

Isso, porque trata-se de uma doença multifatorial com influência genética, ambiental e comportamental. Filhos de pais obesos já nascem em desvantagem, pois carregam em seu genes 40% a mais de propensão a sofrerem com o problema.

A grande maioria dos casos de obesidade tem um importante fator associado: os maus hábitos alimentares. A introdução precoce de alimentos industrializados, ricos em gordura e açúcar e sem nenhum valor nutritivo à dieta, é um dos principais vilões. Por isso, deve ser evitada até os dois anos de idade. Outras causas secundárias são doenças endócrinas (hormonais) ou sindrômicas, como a síndrome de Prader-Willi (problema genético localizado no cromossomo 15).     

É importante lembrar que a obesidade infantil não é uma mera questão estética. Trata-se de uma doença crônica que tende a piorar com o passar dos anos, provocando possíveis doenças no futuro, como diabetes, problemas cardiovasculares, asma, gordura no fígado e até alguns tipos de câncer.

Evitar o excesso de peso na gestação e manter a amamentação exclusiva por seis meses são fatores de proteção contra o desenvolvimento da obesidade. Manter uma dieta saudável, retardar a introdução de alimentos artificiais e evitar a oferta de doces entre as refeições, são medidas que contribuem para a prevenção do problema. E, lembre-se, os hábitos alimentares são determinados pela família. Daí a importância de manter uma geladeira farta em legumes, verduras, frutas e produtos saudáveis.


Revisado por: Isabela M. Forni, médica pediatra formada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), autora do Blog Eludicar| Cuidado à criança. A profissional atende em unidades dr.consulta. (CRM/SP 163243)