Brincadeira é um assunto sério. Para se ter uma ideia, o direito de brincar é assegurado e reconhecido internacionalmente pela Declaração Universal dos Direitos da Criança. Portanto, os brinquedos e as brincadeiras devem fazer parte do cotidiano de todo bebê, principalmente durante os primeiros 1.000 dias da criança, fase crucial para o seu desenvolvimento físico e mental.

Nos primeiros meses de vida, as brincadeiras são responsáveis por produzirem os estímulos necessários para a criança aprender a se sentar, se arrastar e segurar objetos, dentre outras habilidades. Dessa forma, o bebê vai ter a chance de conhecer novas sensações, texturas, formatos e emoções, e de se desenvolver de forma integral.

Além disso, é por meio da brincadeira que o bebê começa a desenvolver seu senso de individualidade. Ou seja, percebe-se como um indivíduo diferente da mãe, do pai, do irmão e de todos que o cercam. Nos dias de hoje, o ato de brincar precisa ser ainda mais estimulado, uma vez que o lúdico corporal perde cada vez mais espaço para a tecnologia, deixando as crianças muito mais próximas de celulares, tablets e televisões, dispositivos desaconselhados até os dois anos de idade pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).    

Recém-nascido

As brincadeiras têm benefícios específicos para cada fase. Ao nascer, a principal forma de brincar é o contato físico com os pais e os demais membros da família. Por meio do tato o bebê vai descobrir novas sensações, estabelecer novos vínculos e aguçar seus sentidos. Nessa fase, os pais devem fazer carinho no corpo do bebê, massagens e segurá-lo juntinho ao corpo, se possível pele a pele e por um longo período de tempo.  

De 1 a 6 meses

Nos primeiros 6 meses, as brincadeiras estão associadas a estímulos visuais, táteis e auditivos. No primeiro mês, é preciso tomar cuidados com brinquedos muito barulhentos, música e ruídos altos, que podem prejudicar a audição do bebê. Atenção especial à segurança, pois os brinquedos devem ser suficientemente grandes para não serem colocados na boca. Também não devem estar sujos ou ter pontas agudas e precisam ser resistentes para não quebrarem facilmente, além de não conterem tinta tóxica.

A partir de um mês, os sentidos do bebê já melhoraram muito. Isso faz com que ele se interesse mais pelos brinquedos e preste mais atenção aos pais durante as brincadeiras. Ele vai adorar acompanhar o movimento de um brinquedo, colocado a uma distância de cerca de 20 cm do seu rosto. Os pais podem ainda oferecer brinquedos ou objetos macios e coloridos na sua mão ou deixar a uma distância em que possa ser alcançado.

Aos 3 meses, o bebê já pode ser colocado de barriga para baixo para brincar e tentar alcançar algum objeto. Procurar brincar junto é uma ótima forma de estimulação. A partir dos 6 meses, grande parte dos bebês já consegue se sentar. Nessa fase, os pais podem incentivar o bebê a passar um brinquedo de uma mão para a outra. Brincadeiras simples como bater palmas, “serra-serra” e esconder o próprio rosto são de grande estímulo, assim como esconder um brinquedo ou objeto embaixo de uma almofada e perguntar: “cadê?”. 

De 9 a 12 meses

Desta fase em diante, as brincadeiras se tornam mais frequentes, elaboradas e importantes, já que agora o bebê consegue se apoiar nos móveis. Tente pendurar algum brinquedo na grade do berço para estimulá-lo a ficar de pé. Ou, ainda, jogar uma bola para ele se arrastar ou engatinhar.

Colocar tampa em panelas e brinquedos de montar são de grande ajuda na coordenação motora, assim como brinquedos e objetos de várias cores e texturas, como madeira, metal e borracha, que irão desenvolver o tato e a visão.        

Outra atividade fundamental é ler um livro para o bebê ou deixá-lo brincar com revistas e papel celofane, que podem ser amassados e rasgados com as mãos.      

Nessa fase, o bebê pode até se apegar a um bicho de pelúcia ou boneco, que passa a representar o aconchego da figura materna. São os objetos chamados de transicionais, que têm a função de acalmar e dar segurança ao bebê.

Quando necessário, não precisa ter receio de dizer “não” e deve-se evitar a brincadeira nos momentos que antecedem o sono. É importante também observar como a criança reage aos estímulos, pois dessa forma é possível notar se seus progressos estão adequados à idade. Cuidado para não exagerar nos estímulos, já que toda brincadeira deve ser feita de maneira lúdica e natural, respeitando o ritmo da criança e com a participação dos pais.


Revisado por:  Thamyres Lourenço das Neves Paiva, pediatra da rede de centros médicos dr.consulta (CRM 155867)