O desenvolvimento motor ocorre da cabeça aos pés, com controle progressivo da musculatura da cabeça, do pescoço e do tronco, do equilíbrio e da postura. Portanto, antes de andar, entre 1 ano e 1 ano e meio de idade o bebê passa por diversas etapas de desenvolvimento.

Ao nascer, o recém-nascido já surpreende os pais com o reflexo do andar, durante a primeira consulta ao pediatra. É o chamado reflexo de marcha, quando o médico segura o bebê na vertical, pelas axilas, e deixa os pezinhos dele tocarem uma superfície firme, como uma mesa. O recém-nascido começa a mover as pernas para a frente, uma após a outra, como se estivesse tentando andar. Isso nada nada mais é do que um exercício reflexo, o qual ele fazia quando estava no útero da mãe, pressionando os pés contra a parede abdominal. Até o fim do primeiro mês ou início do segundo este reflexo, que causa até algumas risadas, desaparece.

Controle da cabeça

No início, os pais precisam apoiar a cabeça do recém-nascido ao carregá-lo no colo, já que ele não tem controle sobre os músculos da cabeça e do pescoço. No segundo mês, ele ainda mantém a cabeça constantemente para trás, porém, se colocado de bruços, levanta o queixo por alguns segundos. É só no terceiro mês que o bebê consegue finalmente controlar a cabeça, mantendo-a levantada, quando deitado de bruços.

Virar, sentar e engatinhar

Após esse grande marco de sustentar a cabeça, existem outras etapas antes de começar a andar. A primeira delas é conseguir se virar sozinho quando estiver deitado, passando da posição de barriguinha para cima para a de bruços e vice-versa. A maioria consegue o feito aos 5 ou 6 meses de idade, mas alguns já o fazem a partir dos 4 meses.

Em seguida, a musculatura dos braços e pernas começam a se fortalecer. Os pais podem notar esse avanço ao ver que a criança começa a usar mais os membros, balançando-os a todo momento. Esse desenvolvimento é muito importante, pois o bebê só vai conseguir se sustentar em pé se tiver a firmeza necessária nas pernas.

Nessa fase, ele já consegue levantar o tronco com as mãos, se estiver deitado de barriga para baixo, e transfere um objeto de uma mão para a outra e o examina por muito tempo. Também parece fascinado com luzes, brinquedos, mãos e cabelo. Por isso, é prudente a mãe prender os fios ou se acostumar a levar muitos puxões de cabelo.

Com os movimentos bem mais ágeis, é comum a criança pôr os dedos do pé na boca e brincar com eles. E após adquirir a musculatura necessária ao exercício de virar-se, o bebê está pronto para se manter sentado por alguns momentos ou apoiar-se com as mãos. Por volta do oitavo mês de vida, a grande maioria já consegue se manter sentado de maneira ereta, sem suporte e sem perder o equilíbrio.

Daí, para o bebê começar a engatinhar, é apenas um pulo – quase que literalmente. Sentado, ele percebe, em pouco tempo, que pode se inclinar para frente e se sustentar com os braços apoiados no chão. Alguns bebês, antes de engatinharem, se locomovem se arrastando, com a barriga apoiada no chão.

Aos 9 meses, usa os móveis para se ajudar a ficar de pé e deixa cair objetos de propósito. Não vale a pena se irritar, pois ele está apenas fascinado pelo efeito da lei da gravidade. Para completar, adora fazer barulho para chamar a atenção dos pais.    

As primeiras engatinhadas propriamente ditas costumam acontecer entre o 9º e o 11º mês. É um grande marco na vida do bebê, e deixa qualquer mãe cheia de orgulho e emoção; afinal, trata-se do início de sua independência. Alguns pulam a fase de engatinhar, mas nada de preocupações, pois isto não é fundamental, ao contrário das outras etapas. Mas caso a criança não conseguir ficar de pé, nem com apoio, aos 10 meses de vida, é prudente comunicar ao pediatra.  

Ao completar o primeiro aninho de vida, alguns bebês dão os primeiros passos, levados pelas mãos dos pais. Outros irão iniciar a marcha apenas com um ano e meio, sendo perfeitamente natural. É aconselhável evitar comparações com outros bebês e deixar que ele se desenvolva e cumpra todas as etapas durante os primeiros 12 meses de vida.


Revisado por: Isabela M. Forni, médica pediatra formada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), autora do Blog Eludicar/ Cuidado à criança. A profissional atende em unidades dr.consulta. (CRM/SP 163243).