Por costume, fala-se quase exclusivamente na mulher, hoje gestante, amanhã mãe, ao conversar sobre a formação do feto e a posterior criação do bebê.

Afinal, é ela quem é vista com a barriga aumentando, quem vai fazer exames com regularidade, quem padece de náuseas ou mal-estares, quem tem de se preocupar com a alimentação ou novos hábitos de higiene, quem dará o bebê à luz e o aleitará após ter nascido, assim como, também, quem o limpará, banhará e fará dormir.

Homem segurando um bebê recém-nascido

Em decorrência, o muito importante papel do pai costuma ser visto de modo bastante secundário, tal qual se ele fosse mero coadjuvante ou só tivesse por responsabilidade prover (ou ajudar a prover) o lar dos recursos financeiros e materiais necessários a família.

Mas não é assim! Se o papel do pai é fundamental durante toda a gestação, pois de seu bom convívio com a gestante decorre parte crucial do clima harmonioso que deve ser possível construir e manter durante toda a gestação, sua participação na criação do bebê é essencial também depois, tanto quanto o foi na fecundação da gestante.

Toda criança nasce com uma predisposição inconsciente a identificar em seu meio ambiente uma figura materna e uma paterna, sejam ou não os próprios pais biológicos. Isto é uma atribuição da espécie e, de certa forma, não só da espécie humana, pois até entre animais domésticos isto acontece, quando um cãozinho de uma ninhada “adota” outra fêmea como sua mãe, se a verdadeira ali não estiver.

É natural que a ligação emocional com a mãe seja muito mais forte no início, já que o bebê e a mãe foram, de certa maneira e por algum tempo, “um só”. Mas após o nascimento, não apenas esta extrema ligação gradualmente tende a atenuar, na medida em que o bebê construa sua própria noção de identidade, primeiro corporal e, mais tarde, pessoal, familiar e social, como em relativo pouco tempo surgirá para ele uma terceira e muito importante pessoa na equação do lar: o pai.

Então, quando o pai entra em cena, é desejável que o bebê possa perceber nele alguns sentimentos que associa à mãe, como carinho, ternura, prontidão e paciência, o que vale também para o pai ou irmão ou primo da mãe, se a gestação for de mulher solteira, pois o bebê realizará sua predisposição natural de identificar no meio ambiente uma figura “paterna”, seja qual pessoa do gênero masculino for.Casal sentado no sofá segurando um bebê que está sorrindo

Se esta pessoa, o pai ou quem atue como pai, tiver afinidade com a mãe nos variados momentos e ações do cotidiano comum, com rapidez e maior facilidade o bebê aceitará essa “nova” pessoa em sua vida.

Um aspecto particularmente desafiador da relação do pai com o bebê e vice-versa é o fato de que o bebê tende a ter raiva ou medo do pai até conseguir fazer com que o querer bem supere a raiva e o medo, e passe a ser o principal vínculo emocional entre os dois.

E é muito importante entender porque isto ocorre assim, para eliminar ou ao menos aliviar sentimentos de incompetência no pai, assim como para evitar respostas paternas de não aceitação da raiva ou do medo do bebê.

Todo ser humano nasce com a possibilidade natural de viver algumas diferentes emoções fundamentais: medo, asco, raiva e tristeza, que são amplas reações orgânicas existentes para proteger o organismo.

O medo faz fugir da ameaça, o asco leva a se afastar do que pode intoxicar, a raiva impele ao ataque contra o agressor e a tristeza permite a reorganização de ações.

No início da vida, estas emoções básicas são experimentadas por todo bebê de modo instintivo e reflexo, praticamente sem nenhuma possibilidade de interferência, até que com o seu amadurecimento ele consiga lidar com nuances situacionais e desenvolva algum nível de controle na manifestação destas emoções e dos sentimentos que derivam delas.

Como o principal vínculo de sobrevivência física e afetiva do bebê é com a mãe, e não poderia ser diferente, é necessário que ele possa viver as emoções de raiva e de medo com o pai, até aprender a lidar melhor com isso e os sentimentos associados que surgem.

bebê chorando muito no colo de um homemCaso o pai não esteja presente, ou não permita o bebê manifestar de forma espontânea a raiva contra ele ou o medo dele, o bebê só encontrará por alternativa viver tudo isto com a mãe, então se confundindo e misturando querer bem com raiva ou com medo.

Também é preciso compreender que o bebê não sente raiva como nós, adultos, costumamos imaginar ser a raiva. Para ele, tudo ainda é mal definido. Tanto, que o filho, se contrariado, pode até exclamar em um instante de insatisfação: “eu odeio você!”, sem que seja propriamente de ódio que ele esteja falando, este tipo de ódio apodrecido e violento que por vezes um adulto sente por alguém.

Instantes assim requerem do pai grande equilíbrio, autoestima e capacidade de contenção, para evitar reações de irritação ou distanciamento em relação ao bebê, por seus próprios temores, preocupações e ressentimentos. Se conseguir agir assim, de modo mais tranquilo e confiante, estará ajudando o bebê a se fazer uma pessoa emocionalmente mais saudável e segura em seus próprios sentimentos. Essa não é a única forma de importância do pai.

Um lar onde há união e harmonia entre os cônjuges, mesmo havendo diferenças entre eles, o pai promove a paz, a segurança e a felicidade no desenvolvimento do bebê, com o que a criança cresce mais estável e feliz.

O pai costuma ser também a pessoa que apoia e sustenta a mãe em sua autoridade com o bebê, e depois criança, promovendo estabilidade nas relações triangulares.

E nos momentos em que o pai está em casa e participa das brincadeiras do bebê, oferece com suas próprias habilidades pessoais diferentes recursos para que a criança possa ampliar o repertório de possibilidades de ação e decisão, o que será essencial para uma vida futura mais produtiva, alegre e feliz.

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