Após o parto, durante a fase de puerpério é normal ocorrer acentuada instabilidade afetiva.

Por meses seguidos, o estado de humor da gestante pode oscilar entre momentos de grande alegria ou energia e instantes de tristeza ou fadiga, quer por oscilações hormonais que continuam ocorrendo, quer pelo fato de agora ser mãe e ter deixado de ser uma grávida.

Alguns sentimentos são muito comuns:

Inveja: com a chegada do bebê é comum o pai, os parentes e as demais visitas se encantarem com ele e terminarem deixando a mãe em segundo plano. Aí, ela se sente invejosa ou enciumada, já que não é mais o centro das atenções, o que ocorria quando estava gestando, mas com dificuldade de falar abertamente sobre o que está sentindo quanto a isso.

Raiva e impotência: muitas vezes a mãe sente raiva do bebê porque já fez tudo o que podia para acalmá-lo e ele continua chorando. Isto é totalmente normal, já que situações como esta trazem à tona doloridos sentimentos de incapacidade pessoal e de impotência. Em momentos assim, o ideal é que a mãe entregue o bebê para alguém e se retire para descansar por um tempinho ou vá fazer algo que lhe agrade bastante.

Medo: o temor de não saber cuidar do bebê ou de não conseguir encaixar essa nova e muito exigente função com todos os demais afazeres do dia a dia é bastante comum. Nos primeiros meses após o parto, o bebê requer enorme atenção, pois a mãe se confunde toda e ainda não compreende a forma como ele tenta expressar suas necessidades, especialmente quando é o primeiro filho. Com o passar do tempo isto melhora e o medo costuma se substituído por uma atenção protetora.

Neste quadro complexo, é normal sentir-se irritável em demasia, vivendo momentos de tristeza intensa e choro fácil ou descontrolado. Tais acontecimentos, decorrentes da desorganização hormonal e metabólica que se dá de imediato após o parto, ocorrem até em mães que nunca deprimiram e costumam caracterizar aquilo que os norte-americanos chamam de “baby blues”, ou seja, “melancolia do bebê”.

E importante lembrar que, há algumas décadas apenas, era muito comum haver a participação ativa e solícita de parentes, vizinhas, amigas e conhecidas na dinâmica de gestar e criar um novo bebê.

Então, o sentimento de ter apoio afetivo e ser orientada por gente amiga e mais experiente, além daquilo que o médico pode fazer, ajudava a gestante a ter mais tranquilidade em lidar com o bebê recém-nascido e consigo mesma e suas reações.

Na vida contemporânea, e principalmente nos grandes centros urbanos, este tipo de solidariedade espontânea desapareceu, tomada pela correria e pelo anonimato.

Também há quem diga que toda mãe se sente como se fosse “a Rainha das culpas”, como se tudo o que ocorresse de preocupante com o bebê fosse sempre e por princípio culpa da mãe, o que sabemos não ser verdadeiro.

Por isso, é muito importante a gestante se preparar ao máximo para esta fase, de modo a atravessá-la com mais segurança e domínio de si, apoiada pelo marido e pelo restante da família mais próxima, além de pelos amigos.

Nesta fase, que se chama puerpério e dura alguns meses, também ocorrerá a recuperação do corpo da gestante, após o parto do bebê e a consequente volta lenta e progressiva do útero ao seu tamanho normal.

Assim, se antes o corpo da gestante trabalhava por dois, ela e o bebê, agora a cabeça da mãe também terá de trabalhar pelos dois: de um lado, cuidando de todo o necessário para a criação do bebê e, de outro, cuidando de si.

Como nas outras fases, nesta o envolvimento do pai é fundamental, de modo a reforçar os sentimentos de parceria com a mãe e criar laços afetivos fortes com o bebê.

Para isto:

– A mãe e o pai devem estar conscientes de que nem tudo será perfeito após o parto do bebê, buscando desenvolver esta consciência com o máximo de informações que os profissionais de saúde possam oferecer;
– Durante toda a gestação e a preparação para os cuidados com o bebê o pai deve ser incluído, para que ele esteja mais confiante e bem organizado ao ajudar a mãe a cuidar das necessidades do bebê;
– Neste sentido, o fato de o pai e a mãe partilharem as tarefas pode atenuar para ambos o marcante impacto de lidar com um novo ciclo em sua vida, agora com o bebê;
– E, no caso de existência de irmãos, sejam filhos dos dois ou apenas de um deles, as crianças devem ser preparadas para a chegada do bebê e até mesmo deve ser explicado como eles podem ajudar a família inteira, agora com mais um, a se desenvolver feliz.

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