A depressão pós-parto é um problema muito grave de saúde materna, pois produz variadas alterações emocionais e comportamentais na mãe e pode atingir de 10 a 15% de mulheres após o nascimento do filho, exigindo tratamento adequado. 

A doença costuma decorrer da inter-relação de fatores biológicos, obstétricos, sociais e psicológicos, e estudos indicam que problemas associados a esse tipo de depressão vão além do adoecimento da mãe, afetando diretamente o bebê.

Na fase puerperal, que em geral dura de 6 a 8 semanas após o parto, a mulher se encontra mais exposta ao aparecimento de transtornos mentais, em relação a outras fases da vida, já que suas defesas físicas e psicossociais estão direcionadas à proteção e vulnerabilidade do bebê.

E como os primeiros dias após o parto são marcados por uma série de emoções e novas expectativas, essa turbulência de sentimentos pode induzir intensa instabilidade no quadro emocional feminino, alternando entre euforia e depressão. O período pós-parto é um momento de adaptação e enfrentamento de novos desafios, não só fisiológicos como também psicológicos, em que é necessário adaptar-se a uma nova realidade. A mulher passa a ter uma nova rotina, altera seus hábitos e assume novas responsabilidades, inerentes à maternidade.

Neste desafiador período, podem surgir a tristeza puerperal e a depressão pós-parto, que são quadros clínicos diferentes. A tristeza puerperal é um distúrbio transitório de humor, caracterizado por um breve período de emoções voláteis entre o 2º e o 5º dia após o parto, atingindo grande parte das novas mães (50% a 80%) e com remissão espontânea: podendo variar de algumas horas até 1 ou 2 semanas após o parto, produz súbitas alterações de humor, sem que haja explicação ou se saiba seu real motivo.

A mãe sente vontade de chorar, de se isolar e, ao mesmo tempo, não tem como explicar a alegria e satisfação sentidas. Vive uma ambivalência incompreensível, pois se sente feliz e, imediatamente a seguir, triste, sem conseguir apresentar razões objetivas para a flutuação de humor ou poder admitir que a causa é o nascimento do bebê.

Também pode sentir-se impaciente e irritada, não só com o marido ou familiares, como também com o bebê, sentindo agonia, ansiedade, fadiga, momentos de solidão e curtos lapsos de memória, em meio do que evita o contato das pessoas com quem convive e até mesmo com o bebê, por vezes evitando fitar seus olhos, trocar-lhe a fralda, amamentar ou acalentá-lo.

Já a depressão pós-parto, que é muito mais grave, é qualificada como um transtorno depressivo que provoca alterações emocionais de maior gravidade e requer tratamento adequado. Seus sintomas incluem irritabilidade, choro frequente, sentimentos de desamparo e de desesperança, falta de energia e de motivação, desinteresse sexual, transtornos alimentares ou do sono e sensação de ser incapaz de lidar com novas situações.

Os estudiosos do assunto admitem haver quatro fatores de risco determinantes da depressão pós-parto:

– Baixa autoestima;
– Problemas na situação conjugal;
– Situação socioeconômica desfavorável;
– Gravidez não desejada.

Veja a tabela abaixo, para perceber melhor a diferença:

tabela depressão pósparto

O sentimento e o comportamento da mãe em relação ao bebê são profundamente influenciados por suas experiências familiares prévias, e o padrão de relacionamento familiar dará origem à forma como a mãe irá vincular-se ao bebê, provendo ou não suas necessidades físicas e emocionais.

Mas o temperamento do bebê também pode ser um fator desencadeante da depressão pós-parto, pois diante de um bebê mais difícil a mãe percebe-se como desempenhando uma maternagem mais pobre, menos competente e menos ligada emocionalmente ao bebê. Portanto, menos confiante e satisfeita ao desempenhar o papel materno.

Nesse contexto, é possível compreender as dificuldades de estabelecer um vínculo afetivo favorável com o bebê, na medida em que a mãe não se acha apta para exercer a maternidade e não se encontra disponível para dedicar-se ao bebê, privando-o do seu cuidado e interação, com o que pode prejudicar o seu desenvolvimento, ao não estimulá-lo adequadamente e ao não nutri-lo, emocional e afetivamente falando.

Portanto, se a gestante perceber o surgimento dos primeiros sintomas, deve procurar o seu médico imediatamente e não deixar para mais tarde, ao sentir-se constrangida ou envergonhada por talvez estar desenvolvendo depressão pós-parto: tomar as medidas adequadas será muito importante para ela e para o bebê!

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