Já é mais do que conhecido o fato de que as condições de vida da família, no que diz respeito a sentimentos de segurança, paz e tranquilidade, influem diretamente e de modo bastante intenso sobre o bebê em formação: basta lembrar que o chamado “hormônio do estresse”, o cortisol, produzido nas suprarrenais da mãe em momentos de ameaça ou conflito, segundo todos os estudos atravessa a barreira placentária e impacta o feto que está se desenvolvendo.

shutterstock_243977392Como na vida atual a pressão do tempo, do dinheiro, das dinâmicas sociais e das alterações familiares é cada vez maior, um dos fenômenos que mais tem interessado os pesquisadores da vida intrauterina é o conjunto de consequências que um prolongado estresse das gestantes pode acarretar aos fetos e, por consequência, às futuras gerações.

As conclusões são preocupantes, pois situações continuadas de estresse de gestantes parecem produzir consequências biológicas, morfológicas e comportamentais em seus bebês, com alterações que podem se prolongar pela infância e adolescência.

Um deles é a diminuição da capacidade de adaptação das crianças. Foram estudados grupos de gestantes que, no decorrer da gravidez, viviam perto de grandes aeroportos e se submeteram a incessantes ruídos de fundo; outras, que se separaram de seus maridos ou sofreram a perda de alguém bastante próximo; e terceiras, ainda, que atravessaram a gravidez em situação de guerra.

Em geral, seus filhos nasceram com peso inferior ao normal e por volta dos 3 ou 4 anos de idade apresentavam acentuado comportamento agressivo, seguidos distúrbios de sono e intensas alterações nas respostas às novidades, em geral com muito medo de qualquer coisa que fosse nova.

Pois o feto reage a todas as emoções pelas quais a mãe passa. Quando a gestante está sossegada e satisfeita, é como se o feto sentisse que o mundo está em harmonia e ele pode se desenvolver sem que nada o atrapalhe, o que inclusive ajuda a determinar em grande parte como será o parto, caso a mãe não tenha doença preexistente ou não surja algum fator que torne obrigatório o parto cirúrgico.

shutterstock_124023367Estudos verificaram que gestantes com altos níveis de estresse apresentaram 80% a mais de chances de parto prematuro, se comparadas a gestantes com níveis intermediários de estresse, pois sob estresse seguido a gestante mantém a musculatura tensionada e isto pode levar ao trabalho de parto prematuro.

O nível de estresse contínuo da gestante poderá definir, também, a qualidade do sono do bebê e até mesmo a tranquilidade dos intervalos das mamadas.

O bebê de uma gestante agitada, ansiosa, preocupada ou irritada durante a gestação aprende a estar sempre ansioso: seu sono será agitado, marcado por súbitos despertares e sem conseguir distinguir se já é hora de mamar porque está com fome ou porque está ansioso demais para esperar pela próxima mamada.

Para ele, poderá ser difícil o processo de sugar adequadamente o seio materno, de modo a não engolir muito ar e pouco leite, o que favoreceria a ocorrência de cólicas e causaria a ingestão de baixa quantidade de leite, por sua vez culminando em mais fome e em despertares mais frequentes para novas mamadas.

shutterstock_311854298Gestantes estressadas podem também aumentar as chances de o bebê sofrer com alergias respiratórias, principalmente asma. É que, segundo pesquisas, o feto responde ao estresse da mãe produzindo imunoglobulinas e um tipo de anticorpo relacionado ao desenvolvimento de alergias respiratórias.

O estresse durante a gestação pode até mesmo atrasar o desenvolvimento da criança, dando origem a problemas de atenção e aprendizagem, sintomas depressivos, atraso no uso da linguagem, maior risco de apresentar TDAH, ou Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, e até autismo.

Há pesquisadores que até apontam que o estresse na gravidez pode ter maiores impactos sobre o bebê do que a depressão pós-parto.

Por tudo isto é muito importante serem geradas para a gestante, o mais que seja possível, condições de calma e tranquilidade, em meio às pressões estressantes do dia-a-dia contemporâneo e mesmo às próprias alterações emocionais geradas pela gravidez.

shutterstock_302489990Meditação, orientação comportamental, programa de exercícios em grupos, apoio continuado por parte do marido, troca mais frequente de experiências com outras gestantes ou mães recentes, aumento da frequência de comparecimento à igreja, maiores momentos de relaxamento e prazer (por mais simples que sejam), tudo isto pode resultar em uma gestação mais protetora para o feto e futuro bebê.


Revisado por: Marcus Cavalheiro, Médico Ginecologista e Mestre em Obstetrícia pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp) (CRM/SP 30.077)