Para quem supõe que o feto não tem suas próprias sensações, porque os seus órgãos sensoriais não estão plenamente ativados nem o seu sistema nervoso está inteiramente desenvolvido, vale lembrar que os 5 sentidos parecem se desenvolver ainda no útero segundo uma ordem invariável: primeiro o tato, depois o olfato e o paladar, mais adiante a audição e, por fim, a visão.

Os estudos concordam: mesmo sem estarem maduros, os sentidos são funcionais desde antes do nascimento. Quanto ao tato, prematuros espontaneamente abortados apresentam respostas motoras desde a 8a semana de vida, quando o seu lábio superior é roçado; ao toque na palma da mão, reagem desde a 10a ou 11a semana; e ao conjunto da superfície corporal, respondem desde a 13a ou 14a semana.

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Está praticamente provado que o feto é capaz de ouvir a partir da 24a ou da 25a semana de vida, embora ainda não se saiba bem qual é o grau de acuidade da audição.

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E exames endoscópicos, feitos no 6o ou no 7o mês de gestação, induzem no feto um aumento de batimentos cardíacos provocado pela luz do endoscópio, o que indica a sua capacidade de resposta a estímulos visuais. shutterstock_455850682Parece que o processo é muito mais complexo do que se supõe.

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Ao fim da gestação o feto percebe sons da vida cotidiana em volta da mãe e é capaz de reagir quando se altera a ordem de um par de sílabas, quando uma voz masculina é substituída por uma voz feminina e até se há mudanças no tom de uma nota musical.

Muito importante: as pesquisas parecem indicar que o feto prefere a voz da mãe, reagindo como se já tivesse uma identidade e percebesse que “mamãe está falando comigo”!

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É incrível: o bebê parece já possuir algo como um “rudimento de personalidade”, em sua vida intrauterina! Pois desde o terceiro mês começa a se desfazer o estado de fusão integral entre a mãe e o feto, e ele vai desenvolvendo a sua própria individualidade.

Não, que se possa falar de uma memória como a que os adultos têm, composta de imagens e palavras, mas é como se ele memorizasse as percepções externas em forma sensorial.
Seja estresse continuado, seja sensação prolongada de bem-estar, todas essas impressões irão influenciar a sua vida futura.

Por todos estes motivos, a família inteira deve se empenhar em construir e manter um clima emocional doméstico mais tranquilo e pacífico durante toda a gravidez, por mais que o cotidiano seja desafiador ou ruim, em benefício da gestante e, mais importante, do desenvolvimento do feto e da definição do futuro do bebê.

+ A tranquilidade desde o ventre

shutterstock_317873765Isto envolve não apenas conseguir lidar de modo mais adequado com os conflitos e as diferenças entre o casal, em uma fase de extremas pressões sobre ambos, mas em gerar um ambiente menos barulhento e agitado em casa, pois o feto estará submetido a tudo isto, mesmo que a gestante e o pai não saibam com clareza e nem deem tanta importância assim.

Inclusive em um assunto que costuma ser tabu, mas faz parte da vida conjugal, que é o sexo durante a gravidez.

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Até onde a Ciência conhece, a vivência da sexualidade ativa durante a gestação faz bem ao feto em formação, exceto nos casos em que é contraindicado por ameaça de aborto espontâneo, ocorrência de sangramentos ou gestação com placenta prévia (ou baixa).

No geral, desde que tomando certos cuidados básicos, como não comprimir o feto que está em gestação, nem obrigar a gestante a ficar em posições em que possa cair e bater a barriga, o sexo não apresenta problema algum.

Durante o ato sexual, a região pélvica materna se vasculariza intensamente e isto entrega mais sangue ao bebê em formação, que mesmo sem saber do que se trata vive a experiência como geradora de mais bem-estar.

Ao mesmo tempo, quando a gestante tem orgasmos, isto despeja endorfinas na corrente sanguínea, as quais atravessam a barreira placentária e induzem intensas e prolongadas sensações de prazer no feto.

Por esta razão, e sem levar em consideração outros fatores, já que casais que mantêm a sexualidade ativa na gravidez costumam estar mais harmoniosos e contentes em sua relação interpessoal, o que também impacta positivamente o feto, gestantes que têm relações sexuais durante a gestação costumam ter bebês mais seguros, tranquilos e felizes.

E durante os últimos meses da gestação o sexo pode ajudar a gestante a se preparar para o parto, ao promover leves contrações uterinas, quase como se ela fizesse um exercício para tornar o nascimento do filho mais fácil.


Revisado por: Leda Barone, pediatra formada na Faculdade de Medicina da Universidade de Mogi das Cruzes com residência médica em Pediatria na Santa Casa de São Paulo (CRM 53500).