Logo após a fecundação do óvulo pelo espermatozoide começa um frenético processo de multiplicação e especialização celular que, 9 meses depois, dará origem a uma nova pessoa: o bebê recém-nascido.

É uma dinâmica maravilhosa, destas que nos deixam encantados de admiração frente ao milagre da criação!

Primeiro trimestre

– 0 a 4 semanas

Após ser fecundado, enquanto o óvulo é encaminhado para uma das tubas ovarianas ele já começa a multiplicar suas células: nas primeiras 24 horas são apenas 2 e no 4º dia já são 100, quando esta massa celular recebe o nome científico de “zigoto”.

Ao mesmo tempo, o útero vai se preparando para receber o óvulo, sob efeito do hormônio Beta HCG, cuja função é suspender outras ovulações e aumentar a produção dos hormônios progesterona e estrógeno, que impedem que o embrião se desprenda do útero. Aliás, o hormônio Beta HCG é o que possibilita diagnosticar a gravidez já na 3ª semana após a fecundação.

Quando ele chega ao útero e nidifica, isto é, faz seu ninho na parede uterina, o futuro feto ainda corresponde a um conjunto de células chamado “blastocisto”, compondo uma massa de células que formam o embrião. Esta massa está rodeada por uma cavidade repleta de fluido, que irá originar o líquido amniótico, e por um conjunto de células que irá se transformar em parte da placenta.

Na 4ª semana o embrião assume a forma de um disco constituído por três camadas de células que, mais tarde, serão os diferentes tecidos do corpo humano. A camada interna (endoderme) originará os pulmões, o fígado e o sistema digestivo. A camada média (mesoderme) constituirá os ossos, os músculos, os rins, os órgãos sexuais e o coração. E a camada externa (ectoderme) formará a pele, o cabelo, os olhos e o sistema nervoso. Neste momento, o embrião mede cerca de 3 milímetros e está totalmente aderido à placenta.

– 5 a 8 semanas

Na 5ª semana começam a se constituir os rins, o fígado, o sistema nervoso, a coluna vertebral, a cabeça e o tronco. Uma parte do centro do embrião será o coração.

Na 6ª semana o embrião já tem cerca de 6 milímetros e é como uma cabeça enorme e disforme com umas manchas escuras que correspondem aos futuros olhos e nariz. Nas laterais da cabeça há 2 buracos que marcam os futuros ouvidos. Por baixo vê-se uma abertura que será a boca e pequenas dobras que serão a garganta. Por dentro, a língua e as cordas vocais começam a tomar forma.

O cérebro aumenta de tamanho e o coração já bate a 100 a 130 pulsações por minuto. Começa a se notar o que mais tarde serão braços e as pernas. Nas mãos e os pés, os dedos ainda estão mal definidos. A circulação do sangue também tem início. É a esta altura do desenvolvimento que se diferenciam os órgãos genitais e surgem os intestinos.

O embrião já tem os lábios e o nariz visíveis. Formam-se os dentes e o interior da boca, e os ouvidos começam a se desenvolver. As pálpebras cobrem parcialmente os olhos, que já têm cor na íris. Desenvolve-se o cordão umbilical, que fornece alimento e elimina os resíduos do embrião, pois até agora ele se nutria apenas das reservas alimentares do saco vitelínico.

O sistema digestivo e os pulmões continuam a ganhar forma. O embrião já tem um pâncreas que poderá produzir o hormônio insulina, para ajudar na digestão de açúcares. O fígado começa a trabalhar na produção de glóbulos vermelhos, plaquetas e leucócitos, ou glóbulos brancos.

No final da oitava semana o embrião já mede 2,5 centímetros. Todos os principais órgãos já estão formados, mas não inteiramente. O cérebro está desenvolvido e os neurônios começam a se multiplicar, para formar o futuro sistema nervoso.

– 9 a 12 semanas

Os dedos se desenvolvem, já com impressões digitais. As articulações começam a trabalhar para que o agora feto (após a 10ª semana) possa movimentar os seus membros. O cérebro aumenta de modo exponencial: cerca de 250 mil neurônios são produzidos por minuto!

As pálpebras estão formadas, mas não abrirão até a 27ª semana. Os lóbulos das orelhas já estão formados e até ao final da 12ª semana as funções dos ouvidos estão completas. O lábio superior está formado e a boca e as narinas se desenvolveram.

A cada dia aparecem novos detalhes no corpo do feto, como unhas, pelos, etc. Os dedos estão agora completamente distintos. As pernas esticam e os pés parecem ser bastante grandes, proporcionalmente ao corpo. A pele ainda é transparente, permitindo ver vasos sanguíneos, e alguns ossos principiam o endurecimento.

No final do 1º trimestre o feto mede cerca de 6,3 centímetros e pesa por volta de 14 gramas. A cabeça começa a ficar redonda e, o rosto, a tomar forma (tornando possível ver o perfil do futuro bebê). Os olhos, que antes estavam nas laterais da cabeça, ficam agora no rosto sob a testa e os ouvidos já estão próximos da posição correta.