A gravidez é um período da vida que apresenta para a mulher inúmeras dúvidas e enormes medos: independentemente do número de filhos que a mulher já tenha, cada gestação é única e produz preocupações muito específicas que podem se desdobrar de modo positivo ou negativo no trabalho de parto e na criação do futuro bebê.

Portanto, se a mulher grávida puder fazer parte de um Grupo de gestantes, no posto de saúde em que faz seu acompanhamento pré-natal ou na escola mais próxima de sua casa, no centro comunitário ou na associação de bairro, suas aflições poderão ser amenizadas e a gestação poderá ser mais confiante, inclusive com um parto mais breve, menos ansiógeno e menos doloroso.

Um Grupo, assim, pode ser fundamental em diferentes dimensões importantes. De um lado, pode fornecer amplo esclarecimento, durante a gestação, dos principais assuntos associados a gestação, higiene, parto e puerpério, bem como dos cuidados essenciais com o futuro bebê e temas relacionados à família, durante a gravidez e logo depois dela.

Este tipo de esclarecimento deve ser feito por um ou mais profissionais das áreas da Saúde, em geral do postinho de saúde, seja um médico obstetra, um clínico geral ou mesmo um enfermeiro obstétrico.

Mas, de outro lado, há uma dimensão meio esquecida hoje em dia: a solidariedade que pode brotar espontaneamente entre as gestantes, com umas e outras ajudando-se mutuamente a lidar melhor com temores, inseguranças, ressentimentos e expectativas, tanto as que já tem filhos quanto as que estão na primeira gestação, e tanto as mais maduras quanto as adolescentes.

Quatro grávidas lado a lado segurando a barrigaO horário dos encontros deve ser definido com base nas possibilidades das gestantes que comporão o Grupo e dos pais dos futuros bebês, pois a participação deles é demais importante neste tipo de dinâmica.

O número ideal de participantes é de até 10 a 12 pessoas, de modo a que todas as gestantes possam se comunicar e trocar experiências. Já, os encontros, que podem ser quinzenais ou mensais, devem se dar como “rodas de conversa”, com o coordenador do Grupo complementando os conhecimentos já detidos pelas gestantes, indicando o que é mais correto e apoiando as discussões entre as participantes.

Não é aconselhável que sejam realizadas reuniões de grupos em forma de palestra ou aula, pois o ideal é deixar as gestantes e seus companheiros falarem sobre suas dúvidas e seus medos, mas convidar outros profissionais para participar de alguns encontros (nutricionista, assistente social, fisioterapeuta) pode enriquecer o conhecimento do grupo e despertar maior interesse.

Informações sobre as diferentes vivências devem ser livremente trocadas entre as gestantes e os profissionais de saúde, pois essa possibilidade de intercâmbio de experiências e conhecimentos é tida como a melhor forma de promover a compreensão do processo de gestação e puericultura.

Estes são alguns dos principais aspectos que podem ser discutidos nos Grupos de gestantes:

– Gestação;
– Parto;
– Pós-parto;
– Amamentação;
– Cuidados com o bebê;
– Desenvolvimento infantil (0 a 12 meses);
– Papel do pai / família;
– Planejamento familiar, abortamento, reprodução assistida e adoção.

Desdobrando em mais detalhes estes aspectos, chega-se a uma variedade enorme de temas para discussão e construção colaborativa de conhecimento:

Quatro grávidas sorrindo e escrevendo em cadernos– A importância do pré-natal;
– Cuidados de higiene;
– A atividade física na gestação, de acordo com os princípios fisiológicos específicos para gestantes;
– Orientação nutricional (alimentação saudável, suplementação de ferro, ácido fólico e vitamina A, em áreas endêmicas);
– Etapas do desenvolvimento da gestação;
– Modificações corporais e emocionais;
– Medos e fantasias que se associam a gestação e ao parto;
– A prática de atividade sexual na gestação, incluindo prevenção das DSTs/AIDS e aconselhamento para o teste anti-HIV;
– Sintomas comuns na gravidez e orientações para as queixas mais frequentes;
– Sinais de alerta e o que fazer nessas situações (sangramento vaginal, dor de cabeça, transtornos visuais, dor abdominal, febre, perdas vaginais, dificuldade respiratória e cansaço);
– Preparo para o parto: planejamento individual, transporte, recursos necessários, apoio familiar e social;
– Orientações e incentivo para o parto normal, resgatando-se a gestação, o parto, o puerpério e o aleitamento materno como processos fisiológicos;
– Orientações e incentivo para o aleitamento materno e orientações específicas para as mulheres que não poderão amamentar;
– A importância do planejamento familiar;
– Sinais e sintomas do parto;
– Cuidados após o parto com a mulher e com o recém-nascido, estimulando o retorno aos serviços de saúde para consulta de puerpério e puericultura;
– A importância dos testes de triagem (teste do pezinho, teste do olhinho, teste da orelhinha) e das vacinas;
– Orientações sobre saúde mental e violência doméstica;
– Benefícios legais a que a mulher tem direito, incluindo a Lei do Acompanhante;
– A importância da participação do pai durante a gestação e o parto, para o desenvolvimento do vínculo afetivo entre pai e filho, que é fundamental para o desenvolvimento saudável da criança.


Revisado por: Marcus Cavalheiro, Médico Ginecologista e Mestre em Obstetrícia pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp) (CRM/SP 30.077)