Além de ir regularmente às consultas médicas e fazer toda a maratona de exames solicitados, muitas vezes a gestante se esquece da saúde bucal.

E saiba que complicações na dentição e na gengiva são mais comuns justamente na gravidez.

Um dos motivos é uma maior produção dos hormônios estrogênio e progesterona pela placenta, que promovem modificações vasculares que facilitam o ataque das bactérias, provocando vermelhidão, inchaço e sangramento na gengiva, o que caracteriza a chamada gengivite.

Esse problema aparentemente simples pode levar ao parto prematuro e influir no baixo peso do bebê, segundo um estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que reforça a importância de incluir exames odontológicos nas consultas pré-natais. O estudo revela que a inflamação da gengiva estimula a liberação de citoquininas e prostaglandinas, substâncias que induzem o parto.

Uma vez liberadas na corrente sangüínea acarretam micro contrações na parede uterina, podendo levar ao nascimento de um bebê de baixo peso. E pior, se não for cuidada, a gengivite pode evoluir ainda para um quadro mais preocupante, a periodontite, doença que compromete o tecido de sustentação do dente, além de provocar tártaro, mau hálito e paladar alterado. E os efeitos dos hormônios não param por aí. Prejudicam ainda o pH da saliva, que deixa o dente mais suscetível ao aparecimento de cáries e provoca uma piora no esmalte dos dentes.

Já as mulheres diabéticas precisam redobrar os cuidados. Existem evidências de que esse grupo corre um risco quatro vezes maior de sofrer com gengivites ou periodontites do que o das gestantes que não apresentam o problema.

Por isso, a melhor forma de cuidar dos dentes nesse período é caprichar na escovação com o uso do fio dental, evitar o consumo exagerado de doces e visitar seu dentista por pelo menos três vezes ao longo dos nove meses. Se a barriga ainda não estiver aparente, avise o profissional para ele tomar as devidas precauções, tais como: avaliar seus sinais vitais, levar em conta o seu estado de vulnerabilidade e realizar uma boa anamnese – investigação de seu histórico e hábitos. Caso necessite de anestesia, não se preocupe.

Existem algumas especiais, que não provocam o estreitamento dos vasos sangüíneos, o que poderia prejudicar a gestação. Portanto, sem dor não há motivo para não visitar seu dentista.


Revisado por: Marcus Cavalheiro, Médico Ginecologista e Mestre em Obstetrícia pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp) (CRM/SP 30.077)