Toda gestação é um evento especial e deveras marcante na vida da mulher, dando origem a alterações hormonais e corporais que preparam o organismo materno, corpo e mente, para gerar um novo ser humano, em meio a incessantes e intensas alterações físicas, psicológicas e sociais.

O processo da gravidez, desde a sua descoberta até a sua plena aceitação, gera um cenário complexo dentro do qual se destacam aspectos como a necessidade de apoio do pai da criança, da família, de profissionais de saúde e social, em meio a acentuados sentimentos de ambivalência e preocupações de todos os tipos.

Neste cenário, todos os esforços devem ser envidados para que a gestante supere as dificuldades impostas pelo longo período e tenha grande satisfação com a maternidade, o que terá profundos reflexos positivos no bebê. Para tanto, os cuidados com a gestante precisam ultrapassar a dimensão biológica e abranger o amplo contexto biopsicossocial que a envolve e termina determinando as condições da gestação.

Em geral, as gestantes ficam mais regredidas emocionalmente e parece existir em inúmeras delas, senão em quase todas, um sentimento de ambivalência em relação ao desejo de ter um filho: por um lado querem e aceitam a gestação e, por outro, temem a gravidez por sentirem medo do parto, por temerem ser incapazes de criar um filho e por outros motivos inconscientes, variando em cada caso e em geral de origem familiar.

São modificações complexas e individuais, que variam de gestante para gestante e podem originar medos, dúvidas, angústias ou, simplesmente, especialmente nas mais novas ou menos bem informadas, a curiosidade de saber o que está se passando com o seu corpo. A experiência sentimental da gestante varia a cada trimestre: sentimentos de tristeza, ansiedade, euforia, desânimo, culpa, insegurança e desilusões, alternando-se ou sendo vividos mais de um sentimento ao mesmo tempo, por vezes até de modo confuso ou paradoxal.

No primeiro trimestre, são bastante comuns as manifestações de ambivalência, como dúvidas sobre estar grávida ou não, sentimentos de alegria, apreensão ou irrealidade e, em casos extremos, eventual rejeição do bebê.

No segundo trimestre os movimentos fetais levam a gestante a incorporar melhor a gravidez, o que lhe dá certa estabilidade emocional, pois ela passa a viver o feto como uma realidade objetiva e dominante dentro de si.

No terceiro trimestre o nível de ansiedade tende a aumentar com as alterações cada vez mais perceptíveis em seu corpo, a aproximação do momento do parto e a mudança de rotina que virá com o nascimento do bebê, o que se reflete em outras questões como a sexualidade, os muitos cuidados com o recém-nascido e o formato e ritmo das suas relações familiares e sociais.

De qualquer modo, a experiência de ser mãe é sentimentalmente singular na vida de cada mulher e, dentro dessa particularidade própria de cada uma, a satisfação intensa e a alegria são sentimentos também presentes, devendo ser estimuladas.


Revisado por: Marcus Cavalheiro, Médico Ginecologista e Mestre em Obstetrícia pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp) (CRM/SP 30.077)