As alterações fisiológicas da gravidez produzem manifestações sobre o organismo da gestante que, muitas vezes, são interpretadas como sendo “doenças”.

No entanto, os sintomas são ocasionais e transitórios, não refletindo, em geral, patologias mais complexas. A maioria dos sinais diminui ou desaparece sem o uso de medicamentos, que devem ser evitados ao máximo durante a gestação. Comente tudo, sempre, com o seu médico obstetra.

Manchas escuras na pele

São os chamados cloasmas gravídicos e circundam parte da testa e ao redor do nariz, bochecha e lábio superior. São provocados pelo aumento dos hormônios femininos e geralmente aparecem nos três primeiros meses da gravidez e se acentuam no final. Não são permanentes, mas podem demorar até dois anos para sumir, dependendo da profundidade do melasma. Para prevenir, não se exponha diretamente ao sol, use óculos escuros e chapéu e aplique sempre o protetor solar, no mínimo fator 30. Passado o período de amamentação, um dermatologista pode indicar um creme clareador.

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Desmaio

Devido ao aumento no fluxo sanguíneo, a grávida pode sentir vertigem e sensação de desmaio no início da gravidez. Mais tarde, o útero pode pressionar os vasos sanguíneos, o que também pode provocar sensação de tontura. Felizmente são raros os casos de desmaio, mas se ocorrer é porque o fluxo de sangue no seu cérebro ficou temporariamente reduzido. Se você se sentir a ponto de desmaiar, sente-se com a cabeça abaixada entre os joelhos. Isso vai aumentar a circulação do cérebro e melhorar a sensação de fraqueza.

Anemia

A anemia pode surgir na gestação e costuma afetar mulheres que já tinham uma alimentação pobre em ferro antes da gravidez. Também são suscetíveis gestantes que estejam vomitando demais por causa das náuseas. A deficiência de ferro é outra causa de anemia na gestação, sendo necessária a suplementação de 30 mg por dia na dieta, por dois ou três meses. A incorporação do ferro suplementar ao organismo materno é lenta e não há como acelerar o processo. Ajuda nesse processo a ingestão de carne vermelha, feijão, espinafre, peixe e frango, ricos no nutriente. Para aumentar sua absorção é melhor ingerir com alimentos ricos em vitamina C, como suco de laranja.

Excesso de salivação

O excesso de salivação, também chamado de ptialismo, acomete geralmente mulheres que sofrem de enjoo matinal e pode ocorrer por volta da 6ª semana e desaparecer em torno da 20ª semana de gestação, de maneira espontânea. Entre os sintomas estão a produção do dobro da quantidade de saliva, com sabor amargo, língua mais grossa e bochechas intumescidas por causa das glândulas salivares aumentadas. Outra possibilidade do aumento da salivação é o refluxo gastroesofágico que se dá ou agrava na gravidez. Por isso, sempre é bom comentar o assunto com o médico obstetra.

Corrimento vaginal

Na gestação, ocorre um aumento do fluxo vaginal e do pH. Com isso, a disponibilidade de “alimento” (glicídios) para os micro-organismos na região vaginal (predominantemente fungos, como a cândida albicans) são mais propícios, além de haver uma diminuição natural da resistência imunológica, própria da gravidez. Os sintomas são corrimento de cor branca, acinzentada ou amarelada, acompanhado de prurido, odor ou dor durante a relação sexual. Para combater, use roupas mais ventiladas e frescas que permitem à região genital “respirar”. Além disso, procure não usar produtos locais irritantes, como perfumes e sabonetes.

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Intestinos presos

Os altos níveis de progesterona relaxam os intestinos e tornam mais lenta a passagem de água pelo sistema digestivo, causando a prisão de ventre. Detalhe: o ferro extra que você está tomando piora ainda mais a situação! É recomendável comer alimentos integrais ricos em fibras (pão e arroz integrais, granola, linhaça), folhas verdes (alface, couve, taioba, mostarda) e frutas (mamão, laranja com bagaço, ameixa preta e tamarindo). Evite queijos, farinhas brancas (não integrais). Você deve também beber muita água e fazer atividade física regularmente.

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Revisado por: Marcus Cavalheiro, Médico Ginecologista e Mestre em Obstetrícia pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp) (CRM/SP 30.077)