Além de causar muitas mudanças no seu corpo, a gravidez também pode ocasionar algumas doenças típicas da gestação.

Uma delas é a diabetes gestacional, quando as taxas de açúcar ficam além do considerado normal. E saiba que uma mulher que nunca teve diabetes pode apresentar o problema durante a gestação, pois o corpo da mãe passa a preservar glicose para dar alimento ao bebê.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o alerta para a glicemia elevada é de 95 mg/l de glicose no sangue, quando analisado em jejum. Dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos mostram que 1 em cada 10 mulheres norte-americanas desenvolvem o problema durante a gravidez. Aqui no Brasil, a doença atinge entre 3% e 8% das mulheres.

O perigo é que a doença costuma não apresentar sintomas ao longo dos nove meses. Porém, é facilmente detectada por um exame de sangue, que deve ser feito ainda no primeiro trimestre para mulheres dentro do grupo de risco, segundo recomendação da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).

A doença ocorre quando o corpo não produz em quantidade suficiente o hormônio chamado insulina, que controla os níveis de açúcar no sangue. Durante a gestação, o corpo da mulher retém mais glicose e precisa produzir mais insulina do que o habitual, para atender a todas as necessidades do bebê. Outro motivo são os hormônios característicos da gravidez, que também podem afetar a produção da insulina.

Entre os sintomas estão o cansaço, aumento da sede e fome e da vontade ir ao banheiro. A visão turva é outro sinal de alerta. Como os sintomas são parecidos com algumas manifestações comuns de uma grávida, muitas não suspeitam da doença. Daí a importância de fazer o exame e comentar algum sinal fora do usual com o médico.

As mulheres com histórico familiar de diabete são as que têm mais chances de desenvolver o problema. Além disso, as com idade acima dos 35 anos, as obesas, as que estão ganhando muito peso na gestação, e as grávidas de gêmeos também estão no grupo de risco.

Riscos
Os altos níveis de açúcar podem ser perigosos para o bebê, já que o açúcar atravessa a placenta, ocasionando aumento de peso acentuado, com risco de morte fetal e, muitas vezes, dificultando o parto natural. Após o nascimento, quedas da glicemia do recém-nascido podem levar a lesão cerebral e aumento da incidência de infecções, além de outros problemas. Para a mãe, a doença aumenta os riscos de hipertensão, pré-eclâmpsia e diabetes depois da gravidez. Para detectar o problema, é pedido um teste para ver os níveis de glicose no sangue no início do sexto mês de gestação. Se você está no grupo de risco, o exame pode ser solicitado ainda no primeiro trimestre.

Tratamento
A boa notícia é que o problema pode ser controlado. Reduzir o consumo de açúcar e gorduras, evitar doces e algumas bebidas industrializadas é o primeiro passo. Atividade física também é recomendada, desde que liberada pelo médico. Injeções de insulina costumam ser prescritas pelos obstetras em casos mais graves e não trazem prejuízo ao bebê.

O mais comum é que os níveis de açúcar no seu sangue voltem ao normal após o parto, mas isso só será confirmado após um novo exame, geralmente feito um mês após o nascimento do bebê. De acordo com uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Diabetes, de 10% a 63% das mulheres que tiveram diabetes gestacional correm risco de se tornarem diabéticas nos 16 anos subsequentes. Portanto, melhor cuidar do que remediar!


Revisado por: Marcus Cavalheiro, Médico Ginecologista e Mestre em Obstetrícia pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp) (CRM/SP 30.077)