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Febre: precisa medicar? quando devo levar ao pronto-socorro? Pediatras respondem todas as dúvidas

A temperatura alta é uma reação do sistema de defesa do nosso organismo e nem sempre precisa ser medicada
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A febre é um dos sintomas mais temidos pelos pais, principalmente os de primeira viagem. Apesar de avisar que há algo errado no organismo, já que se trata de uma reação do sistema de defesa, ela não é motivo de desespero.

“Ao contrário do que todo mundo pensa, a febre é nossa amiga, pois é uma resposta natural do nosso organismo”, diz o pediatra Tadeu Fernando Fernandes, secretário do departamento de pediatria ambulatorial e cuidados primários da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP).

+Qualquer mal-estar no bebê é virose? 

Segundo o médico, o sistema de defesa da criança está combatendo um agente agressor que pode ser um vírus, uma bactéria e até um traumatismo. Na febre, ocorre uma dilatação dos vasos, por isso o bebê fica mais vermelho e quente e o sangue segue em direção aos locais agredidos. Isso significa que mais células de defesa e mais anticorpos estão ativos.

É febre? 

A criança está febril quando a temperatura corporal está acima de 37,5º C. No entanto, isto não é indicativo de que a criança precisa ser imediatamente medicada. O importante é observar a condição de cada bebê.

“A febre não é um número mágico ou sinônimo de antitérmico. Então, às vezes, a criança está com 37,7, triste e amuada, portanto precisa ser medicada. Já outra pode apresentar 38,5 graus, mas está disposta e brincando. Nesse caso, não é preciso dar o antitérmico”, explica o pediatra Tadeu Fernando. Portanto, o segredo para decidir medicar a criança, de acordo com o médico, é avaliar o incômodo do seu filho diante da situação.

Como agir

Antes mesmo de medicar, é preciso deixar o bebê o mais fresquinho possível. Agasalhar demais seu filho e usar cobertores farão com que a febre aumente. Deixe a criança com uma roupa leve e ofereça bastante líquido.

“Criança desidratada pode apresentar febre. Às vezes, somente pelo fato de oferecer água para a criança, a temperatura do corpo abaixa”, avisa o pediatra Tadeu Fernando. Caso a febre não diminua, medique o bebê a cada quatro horas.

Quando levar ao hospital?

Em casos mais preocupantes, a febre não cede com antitérmicos ou medidas mais simples e merece atenção especial. “Uma febre mais grave, acima de 39 graus, é mais difícil de cessar e sempre vem acompanhada de algum sinal, como cefaleia, vômito, fraqueza, irritabilidade ou apatia, e mesmo confusão mental com alucinações, podendo chegar até a uma convulsão. O mais prudente é levar a criança imediatamente ao hospital, para que o médico possa fazer uma avaliação e indicar a medicação correta”, alerta o pediatra Hamilton Robledo, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.

Além da alta temperatura, o bebê deve ser encaminhado ao hospital nas seguintes situações, de acordo com o pediatra Hamilton:

– menores de 3 meses de idade com temperatura acima de 39 graus e de difícil controle (dificuldade para baixar);
– entre 3 a 6 meses, também com temperatura igual ou acima de 39 graus acompanhada de irritabilidade excessiva ou letargia (apática);
– entre 6 e 24 meses, com febre de difícil controle ou com duração igual ou superior a 3 dias.

 

Saiba o que fazer no caso de uma convulsão febril

Trata-se de uma convulsão generalizada causada pela velocidade do aumento da temperatura corpórea, podendo apresentar abalos generalizados e sintomas assustadores para qualquer mãe, como virada do olho para cima, perda da consciência, dificuldade para respirar, salivação excessiva e relaxamento dos esfíncteres (urina e evacuação). Apesar de durar poucos minutos na maioria dos casos, a convulsão é muito temerosa para os pais. Siga as orientações, do médico Hamilton Robledo para contornar a situação:

– É difícil, mas é importante manter a calma;
– Deitar a criança e apoiar sua cabeça em uma superfície macia ou ainda colocar em decúbito lateral (posição deitada de lado) para facilitar que a saliva saia pela boca naturalmente e não obstrua a respiração;
– Afrouxar roupas apertadas;
– Remover todos os objetos cortantes que estejam próximos, para evitar acidentes;
– Ficar próximo e segurar firme, para evitar traumas e outras lesões;
– Não medicar para febre ou dar qualquer outro medicamento durante a convulsão.
– Após seu término, procurar serviço de pronto-atendimento para que criança seja examinada e afastar possíveis quadros infecciosos. Uma crise convulsiva que perdure por mais de 15 minutos é demasiado preocupante.


Fonte: Tadeu Fernando Fernandes, pediatra e secretário do departamento de pediatria ambulatorial e cuidados primários da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) (CRM 46876)
Hamilton Robledo, pediatra da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo (CRM: 47582)

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