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Está com excesso de peso? Saiba como ficar de bem com a balança

Mulheres que já estavam acima do peso antes da gravidez devem tomar cuidado extra
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É natural e esperado ganhar peso durante a gestação. Contudo, um ganho excessivo pode representar algumas complicações durante os nove meses e até mesmo durante o parto. Por isso, a mulher deve estar atenta ao seu peso, principalmente se já estava acima do ideal antes de engravidar.

“Estima-se um aumento entre 10 a 12 kg até o final da gravidez. Entretanto, o ganho de peso dependerá da situação inicial de cada mulher. De um modo geral, quanto mais peso a gestante tiver ao engravidar, menos ela poderá ganhar até o final dos nove meses”, explica o endocrinologista Cristiano Barcellos, especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

E os números dos últimos anos comprovam que o excesso de peso vem crescendo muito no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, os casos de excesso de peso aumentaram de 42,6% para 53,8% entre 2006 e 2016 – ou seja, mais da metade da população brasileira está cima do peso. No mesmo período, a prevalência de obesidade também aumentou, de 11,8% para 18,9%.

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Riscos

O peso excessivo na gravidez aumenta o risco de uma série de complicações, como a pré-eclâmpsia, uma doença gestacional que causa pressão alta e edemas em várias partes do corpo, além de outros sintomas, como dor de cabeça. Caso a doença não seja identificada, o quadro pode evoluir para o descolamento da placenta, que restringe o fluxo de nutrientes para o bebê.

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A diabetes gestacional é outro fator de risco e uma das suas principais consequências é o peso do bebê, que pode nascer com mais do que 4 kg, um problema chamado de macrossomia e que aumenta o risco de hipoglicemia e desconforto respiratório no recém-nascido logo após ao parto.

Além disso, os incômodos e sintomas comuns da gravidez, como cansaço, dores, dificuldades respiratórias, além de estrias, podem ocorrer com maior intensidade e frequência quando a mulher inicia a gravidez acima do peso.

Consequências

O feto, por sua vez, pode também ser prejudicado. “O excesso de peso materno aumenta sua predisposição em apresentar defeitos do tubo neural e com maior chance de evoluir para sofrimento e óbito fetal. Além disso, filhos de gestantes obesas apresentam maior risco em desenvolver obesidade durante a vida. Isto ocorre porque a programação metabólica do ser humano tem início já na vida fetal e sofre influência direta do peso e da alimentação materna durante a gestação”, afirma o endocrinologista Cristiano Barcellos.

O peso da mãe pode ter influência até mesmo no tipo de parto. “Se a paciente tiver um bebê com macrossomia, a chance de haver necessidade de indicação de parto cesariano é bem maior”, confirma a ginecologista e obstetra Rossana Pulcineli Vieira Francisco, coordenadora do Departamento Científico de Obstetrícia da SOGESP (Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Estado de São Paulo).

“A presença de obesidade também se associa a partos mais demorados e com maior tempo de anestesia, além de predispor a um maior risco para hemorragias graves”, completa o endocrinologista Cristiano.

Cuidados

O cálculo do IMC (Índice de Massa Corporal), um padrão estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que indica se estamos dentro do peso ideal, deve ser realizado pela mulher antes de engravidar ou pelo menos no início da gestação.

Para fazer o cálculo é bem simples: basta dividir o seu peso pela quadrado da sua altura. Quando o resultado é maior ou igual a 25, significa excesso de peso. A partir de 30, é considerada obesa.

“O IMC da mulher antes da gestação é mais importante do que o ganho de peso durante o período. Dessa forma, o médico consegue programar o ganho recomendado e avaliar os riscos para o bebê”, diz a obstetra Rossana.

Apesar de todos os riscos, é possível contornar essa situação do excesso de peso fazendo um bom acompanhamento pré-natal e tomando algumas atitudes e hábitos relacionados à alimentação.

É importante ressaltar que aquela história de comer por dois é mito e já ficou para trás há muito tempo. O recomendado é prezar por uma alimentação balanceada e com mais qualidade.

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Sem dietas

“Mesmo as mulheres que iniciam a gestação acima do peso não devem realizar restrições dietéticas severas na gestação. Ao invés disso, devem se esforçar para melhorar a qualidade dos alimentos ingeridos, já que a alimentação inadequada provoca uma competição entre mãe e filho na busca por calorias e nutrientes”, alerta a nutricionista Lara Natacci, especialista em nutrição e autora do livro Diet Book Gestante (Editora Atheneu).

É claro que cada gestante é um caso diferente, mas em geral, os nutricionistas costumam fazer algumas recomendações para o controle do peso. “É importante dar preferência a leite e derivados reduzidos em gordura; moderar o consumo de alimentos ricos em calorias e pobres em nutrientes, como doces, bolos, refrigerantes, biscoitos recheados e frituras; evitar excesso de gorduras; consumir alimentos cozidos, grelhados e assados, ao invés de fritos; e perguntar ao médico sobre a possibilidade de iniciar ou aumentar as atividades físicas”, recomenda a nutricionista Lara.

Os exercícios, aliás, podem e devem ser utilizadas como uma forma de evitar o peso excessivo. Entretanto, a gestante deve sempre procurar seu obstetra antes de iniciar qualquer tipo de condicionamento físico.
“As atividades mais comuns são a caminhada e a hidroginástica. Elas são indicadas principalmente para as grávidas que não têm costume de fazer atividade física”, finaliza a obstetra Rossana.


Fontes:
Cristiano Barcellos, médico endocrinologista do Hospital Sírio Libanês; especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, doutor em Endocrinologia pela Faculdade de Medicina da USP; professor de Endocrinologia da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde da PUC/SP (CRM/SP 94400)

Rossana Pulcineli Vieira Francisco, docente da Disciplina de Obstetrícia do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da USP, ginecologista e obstetra coordenadora Científica de Obstetrícia da SOGESP (Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Estado de São Paulo) (CRM/SP 75536)

Lara Natacci, nutricionista doutoranda em educação e saúde, com foco em Comportamento Alimentar na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP); mestre em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP; Coach de Bem Estar pela American College of Sports and Medicine; especialista em Nutrição Clínica Funcional na UNIB, em Distúrbios do Comportamento Alimentar na Université de Paris 5 René Descartes e em Bases Fisiológicas da Nutrição no Esporte na Universidade Federal de São Paulo; autora do livro Diet Book Gestante (Editora Atheneu) (CRN/SP 5738)

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