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Entenda a importância do brincar e conheça as brincadeiras mais apropriadas para o bebê

Especialistas indicam brincadeiras de acordo com cada fase e explicam como elas afetam o desenvolvimento da criança
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O que não pode faltar na vida de um bebê? Alimentação, sono, cuidados e carinho dos pais são as primeiras coisas que vêm à cabeça, mas você sabia que as brincadeiras são praticamente tão importantes quanto tudo isso? Brincar é coisa muito séria e cada vez mais os pediatras do mundo todo ressaltam que as brincadeiras são essenciais para o desenvolvimento da criança de diversas maneiras.

É por meio da brincadeira que o bebê explora não só o mundo ao seu redor como até mesmo o próprio corpo e suas habilidades, e esse aprendizado será carregado pelo resto da vida da criança, estimulando sua criatividade, autonomia e seu desenvolvimento físico, cognitivo e social.

“Brincar é fundamental para os bebês por ser não somente uma das suas linguagens não verbais expressivas mas, sobretudo, uma das formas com as quais eles descobrem e aprendem o mundo à sua volta e sua relação com as pessoas, os espaços e os objetos”, afirma a educadora e pedagoga Adriana Friedmann, especialista na temática do brincar e autora do livro O desenvolvimento da criança através do brincar (Editora Moderna).

Papel dos pais

Mas a partir de que idade e de que forma o bebê deve ser estimulado? “Desde recém-nascidos, os bebês já possuem um instinto para o brincar, apesar de ainda nem conseguirem segurar um objeto. Eles são sensíveis aos estímulos vindos do mundo externo, como cantar, conversar, fazer caretas, movimentos, brincadeiras de mãos, e tantas outras”, indica a educadora Adriana.

+Quando o bebê vai segurar os objetos?

A consultora em educação infantil e autora do livro Vínculo, movimento e autonomia – educação até 3 anos (Editora Omnisciência) Suzana Macedo Soares, defende a Abordagem Pikler, desenvolvida pela médica húngara Emmi Pikler –, cuja ideia é proporcionar à criança o desenvolvimento de sua autonomia e promover o respeito pelo ritmo de desenvolvimento de cada bebê.

A dica é colocar o bebê no chão e criar um ambiente que o estimule, sem esquecer da segurança, é claro. O resto é por conta do pequeno.

“A gente tem que respeitar e deixar o bebê brincar com autonomia. A médica Emmi Pikler observou que se os bebês brincam por iniciativa própria, isso ajuda muito o desenvolvimento neuropsicomotor, então, devemos observá-lo, mas não interrompê-lo. Ele está descobrindo o brinquedo e fazendo o trabalho dele, que é esse brincar livre”, diz Suzana.

“Não é indicado estimular excessivamente as brincadeiras do filho, estipulando regras numa tentativa apressada de fazer com que ele ganhe etapas mais rapidamente”, completa a educadora Adriana.

Brinquedo

Embora as crianças maiores tenham brinquedos cada vez mais sofisticados e caros, os especialistas garantem que qualquer objeto, como um simples lenço colorido, pode garantir muita diversão e aprendizado.
“A maioria dos brinquedos industrializados já vem com uma proposta muito fixa e quase brincam sozinhos. Para cada fase do bebê, a gente escolhe um tipo de objeto. São, por exemplo, uma cabaça, um pincel de silicone, uma semente, um copo de plástico”, exemplifica Suzana.

É importante que os objetos tenham diferentes texturas, cores, tamanhos e formatos, para que os bebês, principalmente os de até um ano, descubram e experimentem a sensação de tocar, empuxar, jogar e fazer de tudo com cada um deles.

+O desenvolvimento dos cinco sentidos

Porém, a atenção e a segurança nunca devem ser deixadas de lado pelos pais, que devem evitar objetos perigosos. “O cuidado com a segurança é bem importante. Os pais devem se atentar ao tamanho dos brinquedos – tendo cuidado com peças pequenas ou fios, pois o bebê leva tudo à boca –, às texturas, tintas e sabores, além do cuidado com o ambiente e com as cores, já que algumas excitam demais os bebês”, alerta a educadora Adriana Friedmann.

A roupinha de brincar deve ser a mais confortável possível, e o pequeno deve ficar, de preferência, sempre descalço, para que possa se movimentar livremente e sem nenhum incômodo.

As brincadeiras de cada fase

Tão importante quanto estimular o bebê a brincar e permitir que ele explore o mundo é saber quais são as brincadeiras mais apropriadas para a sua idade. Promover brincadeiras para bebês que já engatinham é diferente do que para um que ainda não se locomove, por exemplo.

“As brincadeiras mais adequadas são aquelas, em primeiro lugar, pelas quais os bebês mostram interesse e que os desafiam de alguma forma. Brincadeiras com o corpo, que estimulem seus sentidos, com sons, com texturas e cheiros diferentes são as mais adequadas. É importante os bebês poderem ter espaço e tempo para experimentar, imitar e ter contato com a natureza, com diversidade de pessoas e objetos”, diz Adriana Friedmann

Bebês ainda deitados

Os que ainda não conseguem ficar sentados devem ser colocados, depois dos três meses, deitados de costas no chão. Nessa posição, diversas brincadeiras podem ser feitas, como conversar com eles, cantar, levar em frente à sua vista e segui-lo com os olhos e colocar objetos perto para que eles tentem pegar.

“A mãe pode oferecer para o bebê lenços pequenos, mais ou menos de 30×30 cm. É interessante que eles tenham figuras e fundo, como de bolinhas em um fundo de outra cor, porque os bebês ainda não enxergam nitidamente e com o contraste entre figura e fundo é possível distinguir. A gente põe pertinho do corpo porque eles ainda não se locomovem, mas já conseguem agarrar, trazer perto dos olhos, brincar bastante com aquilo, pegar com uma mão ou com a outra e vão explorando”, diz Suzana Soares.

Bebês que sentam

Nessa fase, geralmente os bebês já têm um pouco mais de coordenação motora e conseguem segurar objetos, o que significa que a brincadeira já pode ficar um pouco mais elaborada, com os pequenos fazendo pilhas e tirando colocando os brinquedos de um lugar.

“Nessa fase, a brincadeira é muito repetitiva e o bebê tem a necessidade de colocar os objetos dentro e fora de algo. Então a gente pode colocar diversos brinquedos dentro de um cesto ou de uma bacia, para ele próprio tirar e escolher”.

Bebês que engatinham

Agora o neném já não precisa mais ficar parado, e alguns vão se tornar muito rápidos e agitados, explorando os ambientes da casa e se apoiando nos móveis e objetos maiores.
“Nessa fase, podemos colocar coisas que rolam como bolas, para que o bebê  jogue e vá atrás. É possível também improvisar um túnel para ele brincar, passando por dentro, para trabalhar o ponto de vista motor.”

Bebês que andam

Quando os pequenos começam a andar por aí, quase nunca ficam quietos e vão adorar correr para lá e para cá com seus brinquedos. Outro passatempo preferido nessa fase é imitar todas pessoas que convivem perto dele.

“Nessa fase são interessantes brinquedos e objetos que eles podem arrastar, levar juntos com eles, como carrinhos e outros brinquedos com rodas”, finaliza Suzana.


Fontes:
Adriana Friedmann é Doutora em Antropologia, Mestre em Educação e pedagoga. Atua como formadora, pesquisadora e consultora junto a fundações, ONGs, escolas, universidades e secretarias de educação, cultura e saúde. Criadora e coordenadora do Mapa da Infância Brasileira e do NEPSID (Núcleo de Estudos e Pesquisas em Simbolismo, Infância e Desenvolvimento). Atualmente, desenvolve pesquisas com crianças, formando especialistas na escuta de crianças. É autora dos livros ‘Brincar, crescer e aprender’, ‘O desenvolvimento da criança através do brincar’ (Editora Moderna), ‘Linguagens e culturas infantis’ (Cortez Editora), entre outros.

Suzana Macedo Soares, autora do livro ‘Vínculo, movimento e autonomia’ (Editora Omnisciência), é especialista em Educação infantil pelo Instituto Vera Cruz, graduada em Comunicação Social pela PUC-SP e pós-graduada em Jornalismo Científico pela ECA-USP. Atua na formação continuada de educadores infantis em escolas públicas, particulares e instituições de acolhimento e como consultora em educação infantil. Integra a Aliança pela Infância e a RNPI (Rede Nacional Primeira Infância), a Red Pikler Nuestra America, a Rede Pikler Brasil, e o grupo Educar 0 a 3.
Desde 1999 dirige o Ateliê Arte, Educação e Movimento, na zona oeste de São Paulo, onde realiza oficinas de movimento lúdico para bebês, cursos de formação continuada, rodas de conversa, e grupos de estudos

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