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Desejo de grávida é verdade ou mito?

Algumas mulheres chegam a ter vontade de comer tijolo e sabão!
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A cena é comum em filmes e novelas. A gestante acorda o marido no meio da madrugada e pede para sair à procura de algo bem específico, como uma jaca, ou até mesmo uma mistura incogitável de comidas, a exemplo de banana com estrogonofe. São os famosos desejos da gestação, que existem na vida real e não devem ser ignorados, já que algumas das vontades repentinas podem ser indicativos da necessidade de ingestão de algum nutriente.

“Os desejos sentidos pelas gestantes ocorrem por conta do aumento do hormônio progesterona e da capacidade de percepção das papilas gustativas e do olfato”, explica a ginecologista e obstetra Janifer Sewruk Trizi, do Hospital e Maternidade Brasil, da Rede D’Or São Luiz.

E podem surgir em qualquer momento da gestação. “Alguns estudos apontam para desejos por alimentos gelados e cítricos, pois eles tendem a ser eficazes para a melhora do enjoo no primeiro trimestre. Depois, o chocolate costuma ser desejado com mais frequência”, diz a ginecologista e obstetra Mariana Conforto, da Maternidade Perinatal.

Apesar de os desejos não serem um mito ou simples manha das grávidas, nem todas as mulheres passam por essa situação. Na verdade, algumas até acabam comendo menos, por conta dos enjoos característicos da gestação,  mais comuns no primeiro trimestre.

Portanto, cada mulher é única e não precisa estranhar caso não tenha sentido pelo menos um desejo de comida, até o final da gravidez. Também não é possível prever quando os desejos acontecerão.

Desejos não comestíveis

Por mais incrível e estranho que pareça, muitas gestantes relatam o desejo de substâncias não alimentícias, como tijolo, terra, sabão, giz e até bituca de cigarro. O fenômeno é chamado pelos especialistas de picamalácia, e suas causas e significados ainda não foram totalmente esclarecidos. Porém, os médicos acreditam que essa vontade de ingerir substâncias não comestíveis se deve à falta de algum nutriente.

“Esses desejos, na maioria das vezes indicam anemia por deficiência de ferro. Devem ser investigados e tratados adequadamente, evitando maiores complicações e possibilitando um acompanhamento seguro na gestação”, alerta Mariana.

Além da possível falta de algum nutriente, a picamalácia também pode estar associada a fatores emocionais, culturais, socioeconômicos, ambientais e fisiológicos, como alívio de sintomas digestivos.

Parece óbvio, mas é sempre importante ressaltar que a ingestão de substâncias não alimentícias é extremamente prejudicial à saúde da gestante e do feto, podendo acarretar problemas como prematuridade, baixo peso do bebê, intoxicação, irritabilidade no recém-nascido e até o risco de morte perinatal.

O que fazer?

O recomendado é a gestante nunca guardar esses desejos para si, ainda mais nos casos de substâncias não comestíveis. É necessário comentar com o parceiro e principalmente com o seu obstetra, que vai lhe ensinar como lidar com esses desejos.

“Recomenda-se também o acompanhamento com uma nutricionista para propor um equilíbrio na dieta e sanar algumas vontades, principalmente de alimentos gordurosos e industrializados, que podem levar ao ganho de peso em excesso, além de aumentar o risco de pressão alta ou diabetes gestacional”, diz a obstetra Janifer Sewruk.

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Ao ter desejos de alimentos que podem fazer mal à saúde, é válido tentar algum artifício para driblar a vontade, como realizar alguma atividade – uma caminhada ao ar livre, por exemplo –, fazer diversas pequenas refeições ao longo do dia ou bater um papo com alguém.  Tudo isso ajuda a gestante a tirar o desejo da mente. “A ansiedade, natural na gestação, aumenta a vontade de comer comidas diferentes e em maiores quantidades”, completa Janifer.

E, claro, o bebê não irá nascer com carinha de abacate ou de sorvete com berinjela, caso o desejo não seja atendido. “São apenas crenças e mitos sem nenhuma comprovação médica ou fundamento”, comenta com bom humor a obstetra Mariana Conforto.

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Os desejos e a relação com o parceiro

Muitas vezes, quem acaba saindo para comprar aquele abacate desejado no meio da madrugada é o parceiro da gestante. Claro que não há problema nenhum nisso, afinal, o pai deve fazer tudo o que estiver ao seu alcance para participar da gestação.

Porém, é preciso tomar cuidado para que isso não se torne frequente a ponto de interferir na relação do casal, uma vez que a gestante pode, inconscientemente, acabar fazendo os pedidos para se sentir acolhida e protegida ao ser atendida.

“A partir do momento em que os desejos se tornam condições obrigatórias a serem cumpridas pelo parceiro, o casal deve conversar e investigar se os desejos se tornaram uma forma de mascarar a ansiedade e as angústias da futura mãe. É de extrema importância conversar com um profissional habilitado, caso os desejos estejam excessivos”, recomenda Mariana Conforto.

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Fontes:

Janifer Sewruk Trizi, ginecologista e obstetra do Hospital e Maternidade Brasil, da Rede D’Or São Luiz (CRM/SP 112184)

Mariana Conforto, ginecologista e obstetra da Maternidade Perinatal (CRM/RJ 52-96454-9)

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