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Como manter a intimidade do casal depois do puerpério

Carinho e apoio são fundamentais nesse período de tantas mudanças
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Sair do papel de parceira ou parceiro para tornar-se mãe e pai não é tarefa das mais fáceis. Com todas as atenções voltadas para o bebê, o desafio é conciliar todos os papeis e se adaptar a essa nova rotina cheia de demandas. Segundo a psicóloga Denise Miranda de Figueiredo, especialista em Terapia de Casal e Família pela Pontifícia Universidade Católica (PUC), cada casal vai vivenciar a chegada de um filho de uma maneira diferente. “Para muitos, a vida conjugal pode melhorar e, para outros, piorar. Nem todos estão preparados para abrir mão da liberdade que tinham antes dos filhos”, afirma.

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O tempo para se dedicar ao relacionamento, seja no âmbito sexual ou afetivo, será menor, mas também necessita de cuidados e carinho. “É preciso aprender a desempenhar de forma equilibrada todos os papeis. Este é o maior desafio”, aponta a psicóloga.

Nova realidade 

“Após o nascimento de um filho, o casal vai precisar se reinventar em muitos sentidos. No puerpério, recriar a intimidade é particularmente importante para a mulher. Minha dica é recomeçar do princípio, como se o casal estivesse começando novamente o namoro. O prazer da intimidade pode ser redescoberto em um abraço, um beijo, um olhar, um sorriso”, afirma a psicoterapeuta Juliana Oliveira Breschigliari, Mestre em psicologia pela Universidade de São Paulo.

O mais importante é achar caminhos para se reconectar, sempre respeitando o tempo de cada um. O sexo não é a única maneira de manter a intimidade. Carinho, atenção, contribuição no trabalho doméstico, diálogo e momentos a sós são fundamentais nesse processo.

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Crise

O cansaço, a falta de sono e o excesso de demandas pode desestruturar qualquer relação. Muitas vezes o bebê exige tanto, que o casal até esquece de trocar um gesto de intimidade, como um abraço e um beijo. Em outros casos, a chegada de um filho apenas acentua problemas que já existiam antes. “Precisamos levar em conta que muitas vezes o casal já tinha problemas anteriores à chegada dos filhos. Nesse caso, as dificuldades se tornarão mais evidentes e precisarão ser resolvidas para não aumentar possíveis conflitos e perda da intimidade”, alerta Denise.

Para a psicóloga Juliana, não existe uma receita perfeita na reaproximação dos casais. O que realmente funciona é um diálogo aberto. “Pode ser a partir de uma conversa num jantar especial, numa viagem, num convite para dançar na sala de casa, através de um carinho ou até uma carta sincera; cada casal precisa encontrar a sua linguagem”, indica.

Quando o diálogo fica limitado, a saída pode ser a terapia de casal, uma oportunidade para que ambos exponham seus sentimentos e aprendam a resolver suas diferenças. “Com certeza, a terapia pode ajudar muito o casal a encontrar um caminho, elucidar as dúvidas e negociar os espaços de ambos e do filho dentro da relação”, aponta a psicóloga Denise.

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Saindo sem os filhos

Mesmo com todos os cuidados que um bebê necessita, é fundamental o casal arranjar um tempo para curtir a sós o relacionamento. Deixar a criança com os avós, quando existe a possibilidade, é uma boa alternativa. “Casais que arranjam tempo para fazer programas a sós, pelo menos uma vez por semana, são mais felizes e sexualmente mais satisfeitos que aqueles que não conseguem dedicar um tempo exclusivo para a relação. Sair sem os filhos aproxima o casal, resgata os espaços da intimidade e é sempre benéfico para a relação”, aconselha a psicóloga Denise.

Portanto, datas especiais, como o Dia dos Namorados devem ser comemoradas, mesmo com um bebê em casa. Fazer um programa a dois seria o ideal, mas, se não for possível, nada de desânimo. Preparar algo especial dentro de casa pode ser bem romântico e uma oportunidade para resgatar a intimidade entre o casal.


Fontes: Denise Miranda de Figueiredo, psicóloga e mestre em Psicologia Social e especialista em Terapia de Casal e Família pela Pontifícia Universidade Católica e confundadora do Instituto do Casal (PUC- SP)(CRP 44.724)

Juliana Oliveira Breschigliari, Mestre em psicologia da personalidade e do desenvolvimento humano pela Universidade de São Paulo, psicoterapeuta e autora do blog Khalao – Psicoterapia, Calatonia e Toques Sutis (CRP:06/88557)

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