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Como lidar com a personalidade do bebê

Orientar e dar limites de forma afetuosa vai ajudar a moldar a personalidade da criança sem tirar sua individualidade
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+Leia a primeira parte desta matéria: “Saiba como os pais influenciam a personalidade do bebê

As mães de primeira viagem logo notam que o filho já tem uma personalidade própria desde cedo. À medida que ele cresce, isso vai se tornando mais evidente nas situações do dia a dia.

“Se os pais puderem apenas observar a criança, brincar e interagir com ela sem ansiedade, provavelmente vão observar um padrão de comportamento que se repete”, recomenda a psicanalista Anne Lise S. Scappaticci, terapeuta infantil e familiar.

Na prática, basta observar a reação do pequeno à frustração. Bebês com uma personalidade mais introvertida podem ter dificuldade em expressar o seu descontentamento. Embora isso possa parecer algo positivo no começo, é uma questão a ser trabalhada, já que pode causar problemas quando a criança começar a se relacionar com outras, da mesma idade.

“É importante dar espaço para a criança expressar seus sentimentos (mesmo que ela não fale) e nas situações que possam deixá-la intimidada. Orientar a criança e colocar limites de forma afetuosa é muito importante para ajudá-la a ser mais autoconfiante e assertiva”, diz a psicóloga clínica Patricia V. Spada, pesquisadora da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

Já, quando os pais percebem que seu bebê será uma criança de personalidade mais forte, notando sinais de teimosia, devem ter paciência e tentar procurar o motivo do bebê ser assim, que muitas vezes pode ser reflexo da própria relação com os pais.

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“Uma das funções mais importantes dos pais é ajudar os filhos a manejar e administrar seus impulsos, sejam eles agressivos ou não. Quando a criança aprende a gerenciá-los – e este é um processo gradativo e constante –, significa que está podendo aprender a lidar melhor com as frustrações inerentes à vida”, completa.

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Vontade dos pais

Ainda na gravidez é natural e esperado que os pais criem em suas mentes uma fantasia do bebê, não só fisicamente, mas também com a personalidade desejada.

Quase sempre se imagina uma criança criativa, inteligente e extrovertida, que irá “ganhar o mundo”. No fundo, os pais desejam, até de maneira inconsciente, que o bebê tenha todas as características positivas que eles próprios não têm.

Apesar de se tratar de uma situação comum, o bebê terá, na verdade, suas próprias características e é preciso respeitá-las.

“Quando os pais tentam moldar a personalidade do filho de acordo com seus gostos pessoais, estão interferindo diretamente na capacidade da criança de ser autêntica e de se sentir capaz de enfrentar situações difíceis”, afirma a psicóloga Patricia.

Isso não quer dizer que os pais não possam ensinar seus filhos a enfrentarem seus medos ou a agirem em determinadas situações e, sim, que devem respeitar o seu jeito de ser e ensiná-la a fazer o mesmo com as outras pessoas.

Até mesmo irmãos gêmeos podem ter personalidades bem distintas e os pais não devem se aproveitar disso para cobrar uma das crianças e nem fazer comparações.

“Ao respeitar as características da criança, os pais colaboram firmemente para o desenvolvimento de sua personalidade, com seus atributos e talentos únicos, o que significa dar apoio para que o melhor de cada um possa florescer”, finaliza Patricia.

+Leia a primeira parte desta matéria: “Saiba como os pais influenciam a personalidade do bebê


Fontes:
Anne Lise S Scappaticci, psicanalista membro da IPA (Associação Psicanalítica Internacional); professora da Sociedade de Psicanálise de São Paulo; Doutora em Psiquiatria pela UNIFESP; formada em duas instituições: psicóloga clínica PUC-SP e La Sapienza di Roma, Itália; terapeuta infantil e familiar (CRP/SP 28132)

Patricia V. Spada, psicóloga clínica e pesquisadora da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP); especializada em psicologia da infância; Pós-Doutora em Ciências da Saúde pela UNIFESP (CRP/SP 35169)

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