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Chacoalhar o bebê pode causar danos graves

Movimentos bruscos podem ocasionar a síndrome do bebê sacudido

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Todo mundo conhece o antigo e carinhoso costume de embalar delicadamente o bebê nos braços para frente e para trás. Dessa forma, ele fica calminho e cai logo no sono. O que muita gente não sabe é que a criança, sacudida de maneira mais brusca, – o que geralmente acontece em momentos de descontrole do cuidador – pode sofrer lesões neurológicas e sequelas por toda a vida. É a chamada síndrome do bebê sacudido.

“Chacoalhar o bebê pode causar lesões neurológicas e oftalmológicas como edema cerebral, hemorragias intracranianas e na retina. Podem surgir também sequelas neurológicas, incluindo distúrbios cognitivos e comportamentais, atraso no desenvolvimento, déficits motores e visuais, déficits de aprendizagem e epilepsia”, alerta a enfermeira Viviane Silva, coordenadora da Comissão Permanente de Assistência da Sociedade Brasileira de Enfermeiros Pediatras (SOBEP).

Sintomas

Isso pode acontecer pelo fato de os bebês terem a cabeça proporcionalmente maior do que o corpo e os músculos do pescoço pouco desenvolvidos, o que os impedem de sustentarem o peso da cabeça. Por isso, movimentos bruscos podem ser perigosos, principalmente no primeiro ano de vida, de acordo com a enfermeira Viviane.

Os sintomas da síndrome podem ser notados no comportamento da criança. “O bebê pode apresentar sonolência, dificuldade de amamentação e até convulsão e perda de consciência”, afirma o médico Luiz Aurélio, pediatra do Grupo Hospitalar Vida´s.

É sempre importante ressaltar que apenas movimentos mais bruscos e violentos podem causar lesões ao bebê, portanto, não é preciso ter medo de brincar ou embalar o seu pequeno quando ele estiver chorando.

É comum que os pais, principalmente os de primeira viagem, fiquem apreensivos por não conseguirem fazer o bebê se acalmar. O pediatra Luiz Aurélio lembra que a paciência é essencial, no momento. “A melhor maneira de os pais ninarem seu bebê é com amor, carinho, ternura e cumplicidade. Haverá momentos de muito estresse; por isso, manter a calma e saber pedir ajuda são medidas que nos acolhem quando não conseguimos acolher nossos filhos”, recomenda o pediatra.

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Jogar para cima, cuidado!

Quanto à brincadeira de jogar o bebê para cima, o recomendado é que os pais não a pratiquem – mesmo que o pequeno se divirta e caia na risada –, uma vez que a cabeça do neném fica totalmente desprotegida. Outro cenário muito comum é quando o bebê se engasga e os pais, desesperados e sem saber o que fazer, acabam sacudindo-o.

O indicado nessa situação é que o neném seja colocado de bruços ou de lado no antebraço, deixando-o levemente inclinado para baixo, posição recomendada para iniciar movimentos de liberação das vias aéreas. Caso os pais notem algum tipo de sintoma da síndrome, devem levar o bebê a um hospital para que os possíveis danos sejam avaliados através de exames.

A enfermeira Viviane Silva alerta ainda para alguns sinais de maus tratos, crime previsto em lei no artigo 136 do Código Penal. “A criança pode apresentar sinais de dificuldade de contrair os músculos, de engolir e de sugar, postura rígida, incapacidade dos olhos de focalizar ou de seguir movimento, tamanho desigual das pupilas e ausência de sorrisos ou vocalizações. Vale destacar que, após a identificação da ocorrência de um caso da síndrome do bebê sacudido, as autoridades legais são devidamente informadas”, finaliza a enfermeira.


Fontes: Viviane Silva, Enfermeira e coordenadora da Comissão Permanente de Assistência da Sociedade Brasileira de Enfermeiros Pediatras. Também é professora adjunta da Universidade Federal do Ceará (COREN-CE 96191)
Luiz Aurélio, pediatra coordenador da UTI Pediátrica do Grupo Hospitalar Vida´s (CRM/SP 85102)

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