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A cara do pai ou da mãe? Com quem o bebê vai parecer?

Além dos genes da família, componentes ambientais, como dieta e uso de medicamentos da mãe durante gravidez, afetam a aparência da criança
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É comum imaginar a aparência do bebê ou até mesmo ficar ansiosa para saber se ele será a cara do pai ou da mãe. Vai puxar o sorriso da mãe? Ou os olhos do pai? Vai ser extrovertido ou tímido?  Infelizmente não é possível prever, mas uma coisa é certa: o bebê herda 50% do material genético do pai e 50% da mãe.

Os genes são as estruturas responsáveis pela transmissão de características de uma geração a outra. Diversos genes em sequência formam o DNA, um conjunto de moléculas que carrega toda a informação genética e está distribuído em 23 pares de cromossomos em cada célula do nosso corpo. O DNA determina a cor dos olhos e dos cabelos, formato do rosto e todas as outras características de um indivíduo.

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“O nosso DNA é formado por cerca de 20 mil genes. É nele que se encontra o ‘roteiro’ para a formação e o desenvolvimento de cada ser humano”, afirma o médico geneticista, Osvaldo Artigalás, do Hospital Moinhos de Vento.

Matemática complexa

Dos 46 cromossomos da célula-ovo – que será copiada em cada célula do corpo do bebê –, uma metade é herdada do pai e a outra da mãe. Porém, na hora de definir se o pequeno vai puxar o seu nariz ou o do seu parceiro, por exemplo, a conta deixa de ser tão simples. A definição de como a herança genética se manifestará fisicamente no bebê vai depender das inúmeras combinações possíveis de genes, uma verdadeira loteria, impossível de se prever.

O resultado de tantas combinações diferentes e imprevisíveis (que chegam a bilhões de possibilidades)  é um indivíduo único, a não ser em casos de gêmeos idênticos.

Outros parentes

E saiba que os pais não são os únicos responsáveis pela aparência do bebê. Existe a possibilidade de que um filho de pais morenos seja loiro, por exemplo. “As crianças também podem apresentar semelhanças com outros parentes, como avós, tios e tias”, afirma a médica geneticista Rachel Honjo, da Clínica Vita e membro da Sociedade Brasileira de Genética Médica.

Para que isso aconteça, os pais precisam ter genes de cabelos pretos (dominantes) e os de loiro (recessivos). Caso os dois transmitam os genes recessivos do cabelo loiro ao bebê, não existirá o gene dominante para suplantar o gene recessivo, fazendo com que o pequeno nasça com cabelos loiros, puxando outros parentes que possuíam essa característica.

Herança multifatorial

Para deixar tudo ainda mais complexo, as características da herança genética também podem ser multifatoriais, ou seja, decorrentes de outros fatores externos, além da simples manifestação de um gene.

“Muitas das características físicas e comportamentais da criança são chamadas de multifatoriais, pois são definidas não só por um gene, e, sim, por um conjunto deles, além de componentes ambientais, como dieta e uso de medicamentos pela mãe durante a gravidez”, diz a geneticista Rachel Honjo.

Outro fator determinante para a aparência do bebê são as síndromes genéticas, como a Síndrome de Down. Crianças que nascem com alterações genéticas como essa têm mais características em comum entre si do que com seus próprios parentes.

Depois do nascimento

Até mesmo após o nascimento, o componente genético pode influenciar a aparência da bebê. Uma criança com predisposição genética para a obesidade, por exemplo, será magra ou até mesmo desnutrida caso não receba alimentação adequada. Um outro exemplo mais comum de interferência do ambiente é a mudança da cor da pele e dos cabelos de crianças que recebem mais exposição ao sol durante boa parte da vida.

“Segundo estudos, crianças que vivem em alguns ambientes de privação emocional, como orfanatos, podem ter um prejuízo na estatura. Mas se essa mesma criança é inserida num ambiente adequado, com estímulo e suporte emocional, ela pode ter um bom desenvolvimento”, exemplifica a médica.

Já, quando se pensa em personalidade, inteligência e habilidades, a equação interação ambiente x genes se intensifica. Em relação à inteligência, 50% da capacidade cognitiva de um indivíduo é herdada geneticamente e os outros 50% serão modulados pelo ambiente e pelas experiências ao longo da vida.

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“A personalidade e a inteligência são traços complexos que decorrem da interação de vários genes, em maior e menor grau, bem como da interação deles com os fatores externos, de ambiente, que muitas vezes podem ser decisivos para a expressão desses genes”, finaliza Osvaldo Artigalás.


Fontes: Osvaldo Artigalás, médico geneticista do Hospital Moinhos de Vento e membro da Sociedade Brasileira de Genética Médica (CRM/RS 28095)

Rachel Honjo, médica geneticista da Clínica Vita e membro da Sociedade Brasileira de Genética Médica (CRM/SP 114260)

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