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Até quando a grávida pode dirigir?

Segundo os médicos, a mulher deve evitar a direção a partir do terceiro trimestre
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Até o ano de 1997, o antigo Código Nacional de Trânsito estipulava o quinto mês da gestação como limite para as grávidas dirigirem. Atualmente, o Detran (Departamento Estadual de Trânsito) não estabelece uma recomendação oficial. Portanto, a mulher deve buscar a recomendação do seu obstetra, que pode variar de acordo com suas condições de saúde.

Para o ginecologista Eduardo Zlotnik, do Hospital Israelita Albert Einstein, o ideal, seria a grávida deixar o veículo na garagem. “Como isso é muito difícil em cidades como São Paulo, por exemplo, costuma-se pedir para evitar a direção a partir do terceiro trimestre ou pelo menos nos últimos dois meses da gestação”, afirma.

“No caso das motoristas profissionais, a Sociedade de Medicina do Trânsito aconselha a profissional a trocar de atividade durante a gravidez”, informa a obstetra Thelma de Figueiredo, diretora da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais.

Risco de acidentes

Durante os dois últimos meses da gestação, o volume do útero aumenta muito, deixando a barriga bem evidente. Consequentemente, cresce também o risco de chocar-se contra o volante. E não pense que apenas um grande acidente pode ter consequências sérias. Uma pequena batida e até mesmo uma freada mais brusca podem provocar problemas muito sérios. “No fim da gestação, a barriga já fica muito próxima do volante e pode ser atingida mesmo em pequenas batidas, causando descolamento da placenta ou rotura da bolsa amniótica”, alerta a obstetra Thelma.

Até alguns sintomas comuns à gravidez podem se tornar perigosos na direção. Enjoos, falta de atenção, e outros tipos de mal-estar, como tonturas e até desmaios, podem causar acidentes, por isso é importante dirigir quando estiver sentindo-se bem e, se possível, sempre com um acompanhante. Segundo uma  pesquisa do departamento de Medicina da Universidade de Toronto, no Canadá, 1 a cada 50 grávidas irá se envolver em um acidente de trânsito grave. De acordo com os pesquisadores, as maiores causas dos desastres são enjoo, náusea e distração, que contribuem para que as mulheres percam o controle do veículo.

Cuidados

Algumas precauções podem ajudar na hora de pôr o pé na estrada, mas sempre mantendo o foco na direção. “Não se deve mudar em relação à postura, pois mudanças maiores podem comprometer a habilidade e a segurança ao dirigir”, afirma o ginecologista Eduardo.

Manter distância do volante é a principal recomendação. Quanto mais longe o barrigão estiver do volante, menor o risco de traumas no abdômen. Por isso, afaste o banco de maneira que haja um espaço suficiente entre você e o volante e que não a impeça de alcançar os pedais.

Outro conselho dos médicos é evitar trajetos muito longos. Caso nãos seja  possível, fazer algumas pausas para descansar e esticar as pernas, pode ajudar bastante, pois o inchaço das pernas atrapalha a agilidade e o reflexo da gestante.

Quando não for possível sair acompanhada, a gestante deve estar sempre preparada para imprevistos. Tenha sempre o seu celular com os números do seu obstetra e de sua família. No caso de um mal-estar, não tente chegar ao destino ou ao hospital. Encoste o carro e ligue para alguém que possa te ajudar, ou chame um táxi.

O cinto de segurança de três pontas jamais deve ser dispensado, porém deve ser usado de maneira que a faixa cruze o meio do ombro, passando entre as mamas, nunca sobre o útero e a faixa subabdominal deve estar tão baixa e ajustada quanto possível.

Depois do nascimento do bebê, a recomendação para voltar ao volante varia de acordo com as circunstâncias do parto. Segundo o ginecologista Eduardo, recomenda-se que a mãe espere 21 dias para voltar a dirigir. “Pode ser até mais, mas isso depende do parto e das características próprias de cada mulher”, finaliza Eduardo.

Veja a seguir algumas recomendações sobre o transporte seguro da gestante, segundo o Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

– afastar o banco para trás, o mais longe possível da direção (sem comprometer a segurança) – a distância entre o abdome e o volante deve ser de 15 cm, pelo menos.

– o volante deve estar inclinado para cima ou longe do abdome.

– evitar longas distâncias, jejum, calor ou frio excessivo e estradas ruins.

– não há estudos conclusivos se o air-bag é perigoso para a gestante.

– a principal causa de morte de origem não obstétrica na gestante é o trauma.

– mais de 50% dos traumas e acidentes ocorrem no último trimestre, pois o útero já está volumoso e a agilidade física fica comprometida.

– neste período, pela ansiedade natural da proximidade do nascimento do bebê, a gestante pode apresentar julgamento alterado frente a situações de perigo iminente.


Fontes:
Eduardo Zlotnik, ginecologista e obstetra do Hospital Israelita Albert Einstein (CRM/SP 73681)
Thelma de Figueiredo, obstetra e diretora da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais  (CRM/MG 16586)

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    • Olá, Heldklene! Tudo bom? Durante o primeiro trimestre da gestação, andar de moto pode não ser tão perigoso assim, já que sua barriga ainda não cresceu tanto. Porém, o mais recomendado é que você evite andar de moto durante toda a gestação, porque em um acidente, ou mesmo em uma queda, seu corpo estará completamente exposto a impactos, o que pode causar danos ao bebê e a sua gestação.

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