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Amamentação de bebê prematuro; veja como superar as dificuldades iniciais

Mãe pode fazer a ordenha do leite enquanto o bebê ainda está na UTI neonatal
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O leite materno é importante para todos os bebês, mas é ainda mais fundamental para os que nascem de maneira prematura, ou seja, antes da 37ª semana de gestação. Isso, porque nele se encontram nutrientes que nenhum outro produto fabricado possui e que são essenciais para garantir o desenvolvimento do recém-nascido e protegê-lo de doenças e infecções.

+Bebês prematuros exigem cuidados e atenção para garantir seu desenvolvimento

“Para os bebês prematuros, o leite materno oferecido exclusivamente diminui significativamente a incidência e a gravidade de algumas doenças específicas, que só ocorrem nessa fase da vida. Vale destacar que, nesta situação, as mães têm uma maior produção e quantidade de anticorpos no leite materno”, afirma a enfermeira pediátrica Maíra Domingues Bernardes Silva, do Banco de Leite Humano do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), instituição que sedia o Centro de Referência da Rede Global de Bancos de Leite Humano.

Retirada do leite

É comum que uma parte dos bebês nascidos de forma prematura passe seus primeiros dias de vida na UTI neonatal, sendo alimentado através de uma sonda nasogástrica (pelo nariz) ou orogástrica (pela boca), pois ainda não são capazes de sugar e engolir.

Porém, enquanto o bebê não vai ao seio, a mãe pode fazer a ordenha do leite, de maneira a manter a sua produção, para quando o bebê puder mamar. Além disso, parte do leite ordenhado pode ser doado a bancos de leite para alimentar outros bebês prematuros cujas mães não puderam fazer a ordenha.

+Saiba como fazer a ordenha do leite materno

“O ideal é que a ordenha e a extração de leite sejam feitas com frequência mínima de seis vezes ao dia, em local adequado e informado pela equipe de saúde da maternidade ou no domicílio da mulher”, explica a enfermeira Maíra.

Não é preciso ter receio de parecer insegura, caso não saiba como retirar o leite. Os profissionais da maternidade devem ensinar a mulher a ordenhar o leite com as próprias mãos ou com o auxílio de uma bombinha manual ou elétrica. O passo a passo para coleta e armazenamento do leite pode ser encontrado no portal da rede brasileira de Bancos de Leite Humano.

Além da ordenha, também é essencial à manutenção da produção de leite materno, que a mulher descanse durante esse período e que também tenha contato pele a pele com o recém-nascido, com a ajuda da equipe de enfermagem da UTI neonatal, sempre que possível. Esse método de contato – conhecido por ‘Método Canguru’ e desenvolvido na Colômbia nos anos 1980 – já teve sua eficácia comprovada cientificamente, facilitando a amamentação e o desenvolvimento de bebês prematuros.

+Método Canguru auxilia a recuperação de prematuros

Após a alta

Não há um momento padrão para os bebês prematuros deixarem de ser alimentados pela sonda. Tudo vai depender do desenvolvimento de cada um. “Em geral, para o bebê que está evoluindo bem clinicamente, e que pode iniciar a alimentação por via oral, deve ser estimulado o aleitamento materno”, afirma a enfermeira pediátrica.

É importante ressaltar que, apesar dos bebês prematuros realmente possuírem algumas necessidades, como a de dormir mais, isso não necessariamente significa que seja mais difícil amamentá-los. A dificuldade em amamentar pode existir com qualquer recém-nascido já que, assim como os bebês nascidos a termo, os prematuros também precisam aprender a mamar. As mães devem contar com o apoio e suporte da equipe de saúde da maternidade para o início da amamentação.

+Pega correta é a chave para o sucesso da amamentação

“O bebê prematuro tende a ser mais sonolento. Por isso, precisa ser acordado e estimulado a mamar. Algumas mães não sabem como acordar o neném ou acabam ficando com pena de despertá-los, mas isso é necessário para que o bebê se alimente bem”, esclarece a enfermeira pediátrica.

“Recomendamos acordar o bebê, inicialmente retirando algumas peças de roupa, para que ele possa despertar para mamar. Também orientamos passar o mamilo e gotinhas de leite em sua boca para que ele possa sentir o gosto e o cheiro do leite”, aconselha Maíra.

Copinho ou mamadeira?

Quando o bebê ainda não consegue mamar, o leite materno pode ser oferecido em um copinho. Por mais que possa parecer estranho um recém-nascido tomar leite num copo, essa é maneira mais indicada pela equipe médica e que favorece o aleitamento materno.

“A mãe sempre deve oferecer o peito para ver se o bebê consegue sugar. Se houver muita dificuldade, ela deve ordenhar o seu leite e oferecer a ele em um copinho. O bebê tomará facilmente, sendo possível, logo, sugar o peito.”

As mamadeiras não são recomendadas para evitar que o bebê acostume a mamar apenas nelas, já que elas têm texturas, formatos e consistências bem diferentes em relação ao bico dos seios da mães.

“Quando o bebê mama no peito, trabalha toda a sua musculatura facial. Na mamadeira, ao contrário, ele ‘chupa’ o leite como chupamos um canudinho, não usando adequadamente os músculos faciais e o bebê pode apresentar, mais tarde, problemas dentários, respiratórios e de linguagem”, alerta Maíra Domingues.

Antes de dar o copinho com leite ao bebê, é preciso tomar alguns cuidados, como esterilizar o recipiente, deixando-o em água fervente por 15 minutos e deixá-lo secar naturalmente, sem utilizar nenhum tipo de pano ou guardanapo.

Também é importante que a mãe ou quem esteja dando o leite ao bebê lave bem as mãos e verifique a temperatura do líquido após aquecer o leite em banho maria com o fogo desligado, nos casos em que o leite em questão tiver sido armazenado em geladeira ou congelador. O bebê deve ser colocado meio sentado e a borda do copinho deve ser apoiada gentilmente no lábio inferior do bebê.

“Deve-se esperar que o bebê sorva o leite e não seja obrigado a engolir. Ele fará um movimento de avanço e recuo com a língua, que muitas mamães e papais dizem parecer com um gatinho bebendo”, ilustra Maíra.

Relactação

“Existem diversas técnicas destinadas ao apoio e promoção do aleitamento materno. A avaliação sobre a técnica mais indicada varia caso a caso e deve ser escolhida após avaliação conjunta do médico e enfermeiro especializados no assunto. É muito importante que a mãe procure auxílio, seja com a equipe que já assiste e acompanha o bebê, seja com profissionais de saúde dos Bancos de Leite Humano”, ressalta a enfermeira.
A técnica da relactação, quando indicada, consiste em mergulhar uma extremidade de uma sonda num recipiente com leite materno e fixar o outro lado da sonda no peito da mãe, de maneira que a sonda fique bem próxima ao bico do seio. O bebê, então, suga o leite da sonda e, ao mesmo tempo, o bico do seio da mãe.

+Saiba todos os detalhes da relactação

Leite artificial

Considerado o alimento padrão ouro, o leite humano é muito importante para o bebê se desenvolver melhor, ganhando mais saúde e peso. Amamentar o bebê influencia de forma positiva em toda a sua vida. Em alguns casos específicos e, principalmente, quando não há banco de leite humano na maternidade, o leite artificial pode ser prescrito pela equipe médica, sendo usado como complemento na alimentação do bebê.

“A fórmula infantil somente deve ser oferecida mediante prescrição médica do profissional que acompanha o bebê e em casos específicos. A fórmula deve sair de cena tão logo o bebê comece a ganhar peso ou a mãe produza maior quantidade de leite”, finaliza Maíra.


Fonte:
Maíra Domingues Bernardes Silva, enfermeira pediátrica do Banco de Leite Humano do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), instituição que sedia o Centro de Referência da Rede Global de Bancos de Leite Humano (COREN-RJ 226554)

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