Açúcar: o vilão no cardápio dos bebês

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Os doces são conhecidos como um dos grandes sabotadores da alimentação saudável de adultos e principalmente das crianças. Papais e mamães ficam em dúvida se podem ou não introduzir esse item no cardápio do filho e se isso pode trazer consequências sérias para a sua saúde. Saiba que os especialistas são categóricos: o açúcar é prejudicial aos bebês.

“Tanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) quanto o Ministério da Saúde recomendam não utilizar açúcar no primeiro ano de vida. E em 2016, a Academia Americana de Pediatria alterou a recomendação para que se introduza o açúcar somente após os 2 anos de idade”, alerta a médica Virgínia Weffort, presidente do Departamento Científico de Nutrologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

Efeitos no organismo
Segundo a médica, até os dois anos de idade a criança encontra-se no período de programação metabólica, ou seja, é a fase na qual o organismo vai aprender os hábitos alimentares que levará para o futuro. “A inserção de açúcar durante os dois primeiros anos fará com que a criança continue preferindo alimentos com sabor doce (característica comprovadamente inata em crianças), o que pode trazer complicações e doenças como a diabete tipo 2; a síndrome metabólica, que acarreta problemas cardiovasculares; deficiência de micronutrientes como ferro, levando a desenvolver anemia; ou até mesmo tendência à obesidade”, diz a pediatra Virgínia Weffort. Mais de 15% das crianças brasileiras estão acima do peso, segundo a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso).

Menos açúcar, por favor
A OMS recomenda apenas o leite materno até os 6 meses e, a parti daí, introduzir gradativamente outros alimentos com nutrientes necessários para o desenvolvimento do bebê. Até os 18 meses, o ideal é que a dieta esteja bastante diversificada e sem necessidade de alimentos doces, já que muitos deles são naturalmente ricos em açúcar. É o caso de frutas, batata, arroz, aveia, milho e pão, entre outros. Portanto, não é preciso adicionar açúcar refinado ao leite ou ao suco.
Com isso, o bebê tem a chance de habituar o paladar ao gosto natural dos alimentos. E se a criança já consome produtos industrializados (bolacha, refrigerante), a situação é ainda pior, já que esses produtos apresentam açúcar em excesso. E cuidado com produtos aparentemente saudáveis, como sucos de soja, que têm abundância de sódio.

Dentição x cáries
A pediatra Alessandra Cavalcante Fernandes, do Hospital e Maternidade São Luiz, ainda dá mais um motivo para evitar o açúcar na alimentação: o prejuízo na dentição dos pequenos. “Quanto mais tarde o contato com o açúcar, menor é a proliferação de bactérias na boca, e com isso são menores as chances de cárie no futuro. Então, até a formação da primeira dentição, quanto menor for o contato com o açúcar, melhor para os dentes do bebê”, afirma a pediatra. Dados do Ministério da Saúde mostram que, aos 5 anos de idade, mais de 53% das crianças já tiveram cárie.

E claro, sabemos que a guloseima é uma tentação para as crianças e toda mãe sabe a dificuldade em mantê-las longe do açúcar industrializado. Nesse caso, a dica dos especialistas é substituir o produto processado por açúcares naturais como a frutose (açúcar da fruta) e a lactose (açúcar do leite). Mas caso você queira dar um mimo ao pequeno, como um iogurte ou um pequeno pedaço de chocolate, o ideal é que não passe de 25 gramas diárias – ou quatro colheres de chá, quantidade recomendada pela American Heart Association (AHA). Quando se trata de alimentação e açúcar, usar o bom senso é a melhor solução.


Fontes:
Virginia Weffort – Presidente do Departamento Científico de Nutrologia SBP (CRMMG: 16201) 
Alessandra Cavalcante Fernandes – Pediatra do Hospital e Maternidade São Luiz (CRMSP: 98031)

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